A troca no comando no MME (Ministério de Minas e Energia), com a saída de Bento Albuquerque e a entrada de Adolfo Sachsida, é um claro sinal quanto a insatisfação do presidente Jair Bolsonaro em relação à forma como a política de preços da Petrobras vem sendo tocada, segundo analistas consultados pela Agência TradeMap.
Na impossibilidade de se contestar o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que assumiu o cargo recentemente e foi indicado por Bento Albuquerque, o Executivo acreditou ser prudente afastar seu interlocutor como forma de demonstrar insatisfação com o aumento no diesel promovido esta semana.
Bolsonaro já tinha demonstrado insatisfação em outras oportunidades, como na própria saída de Roberto Castello Branco e Joaquim Silva e Luna do comando da estatal.
Sachsida, que é funcionário do Ministério da Economia e um dos homens de confiança do ministro Paulo Guedes, é um defensor contumaz da política de preços da Petrobras. Resta saber se agora vai mudar de posição.
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Em rede social, o atual ministro de Minas e Energia agradeceu a nomeação e disse que espera estar à altura do trabalho, o que classificou como “o maior desafio profissional da carreira”.
Para a Ativa Investimentos, independentemente do descontentamento da União, a Petrobras desenvolveu ao longo dos últimos anos aspectos positivos em sua governança, que de certa maneira, a blindam de interesses que possam pesar contra a sua situação financeira.
“À União é facultada a indicação de seu novo comandante, mas a troca da política de paridade aos preços médios de importação dos últimos doze meses, fundamental para a manutenção da saúde financeira da companhia, não pode ser alterada com tamanha celeridade”, disse a equipe da Ativa Investimentos, em comentário nesta quarta-feira (11).
Em relatório, o Goldman Sachs ressaltou que José Coelho é considerado próximo de Bento Albuquerque porque já que trabalhou como secretário executivo de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, mas que qualquer mudança relacionada a isso não está clara.
“Reconhecemos o debate público em torno da política de preços de combustíveis da Petrobras, mas permanecemos comprados à luz do considerável rendimento de dividendos de 40% em 2022”, explicou o banco.