Bolsas em queda com crise no Reino Unido e medo de inflação – veja o que importa hoje

Renúncia da premiê Liz Truss abriu disputa por cargo; alta de preços nos EUA continua a incomodar

Foto: Shutterstock/NicoElNino

Em um dia de agenda esvaziada de indicadores, os índices futuros americanos e as bolsas europeias operam em queda na manhã desta sexta-feira (21), em meio ao sentimento de que o Federal Reserve terá que continuar a promover altas agressivas de juros e após a renúncia da premiê do Reino Unido Liz Truss, que ontem deixou o cargo após somente 44 dias.

Os mercados internacionais repercutem o que acontece depois disso. A expectativa é de que Truss seja substituída por outro membro do Partido Conservador, que será indicado até o dia 28 de outubro.

Truss foi forçada a sair após anunciar um plano para a economia que custaria 43 bilhões de libras (o equivalente a R$ 255 bilhões) e não previa medidas de compensação na forma de corte de gastos ou elevação de outros impostos.

O cenário de irresponsabilidade fiscal foi mal recebido pelos mercados, com os títulos britânicos em queda e a libra chegando ao menor patamar frente ao dólar desde 1985 no mês passado.

Saiba mais:
Renúncia de Truss aumenta pressão sobre Reino Unido – entenda o que está em jogo

Por que isso importa?

Apesar de a Inglaterra ser uma pequena ilha no continente europeu, o Reino Unido é uma das principais economias do mundo – é a quinta maior no ranking do Banco Mundial, que usa como referência dados de 2021.

Além disso, a libra é a quarta moeda mais relevante nas reservas internacionais dos bancos centrais, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). Isso significa que, quando a libra cai, vários países perdem dinheiro.

Inflação continua a incomodar

Nos Estados Unidos, as bolsas à vista tiveram um novo dia no vermelho ontem, com temores renovados sobre os riscos inflacionários e como o Federal Reserve pode reagir a eles – o temor é que o banco central americano terá que manter um ritmo agressivo de aumento nos juros, para combater principalmente a inflação de serviços.

Ontem, o presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, afirmou que não vê progresso na amenização dos preços, e que acredita que a instituição terá que continuar subindo juros “por um tempo”. “Dado a francamente desapontadora falta de progresso em domar a inflação, espero que estaremos bem acima de 4% [de juros básicos] no final do ano.”

Leia mais:
Inflação global pode ter mudado de patamar com guerra, pandemia e China, diz Zaniboni, da Garde Asset

Atualmente, a taxa americana está entre 3% e 3,25% ao ano, e a expectativa de investidores é que encerre 2022 entre 4,5% e 4,75%.

Por volta das 8h10, os índices futuros americanos estavam no vermelho: o Dow Jones caía 0,39%, o S&P 500 estava em queda de 0,50% e o Nasdaq perdia 0,85%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, tombava 1,51%.

Por que isso importa? 

A inflação elevada nos Estados Unidos sugere que o Federal Reserve, banco central do país, pode ser obrigado a manter os juros altos por mais tempo ou ser mais agressivo do que o previsto para controlar a alta dos preços. Juros altos são má notícia para as empresas e, consequentemente, para os preços das ações. 

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.