Em um dia de agenda esvaziada de indicadores, os índices futuros americanos e as bolsas europeias operam em queda na manhã desta sexta-feira (21), em meio ao sentimento de que o Federal Reserve terá que continuar a promover altas agressivas de juros e após a renúncia da premiê do Reino Unido Liz Truss, que ontem deixou o cargo após somente 44 dias.
Os mercados internacionais repercutem o que acontece depois disso. A expectativa é de que Truss seja substituída por outro membro do Partido Conservador, que será indicado até o dia 28 de outubro.
Truss foi forçada a sair após anunciar um plano para a economia que custaria 43 bilhões de libras (o equivalente a R$ 255 bilhões) e não previa medidas de compensação na forma de corte de gastos ou elevação de outros impostos.
O cenário de irresponsabilidade fiscal foi mal recebido pelos mercados, com os títulos britânicos em queda e a libra chegando ao menor patamar frente ao dólar desde 1985 no mês passado.
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Por que isso importa?
Apesar de a Inglaterra ser uma pequena ilha no continente europeu, o Reino Unido é uma das principais economias do mundo – é a quinta maior no ranking do Banco Mundial, que usa como referência dados de 2021.
Além disso, a libra é a quarta moeda mais relevante nas reservas internacionais dos bancos centrais, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). Isso significa que, quando a libra cai, vários países perdem dinheiro.
Inflação continua a incomodar
Nos Estados Unidos, as bolsas à vista tiveram um novo dia no vermelho ontem, com temores renovados sobre os riscos inflacionários e como o Federal Reserve pode reagir a eles – o temor é que o banco central americano terá que manter um ritmo agressivo de aumento nos juros, para combater principalmente a inflação de serviços.
Ontem, o presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, afirmou que não vê progresso na amenização dos preços, e que acredita que a instituição terá que continuar subindo juros “por um tempo”. “Dado a francamente desapontadora falta de progresso em domar a inflação, espero que estaremos bem acima de 4% [de juros básicos] no final do ano.”
Atualmente, a taxa americana está entre 3% e 3,25% ao ano, e a expectativa de investidores é que encerre 2022 entre 4,5% e 4,75%.
Por volta das 8h10, os índices futuros americanos estavam no vermelho: o Dow Jones caía 0,39%, o S&P 500 estava em queda de 0,50% e o Nasdaq perdia 0,85%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, tombava 1,51%.
Por que isso importa?
A inflação elevada nos Estados Unidos sugere que o Federal Reserve, banco central do país, pode ser obrigado a manter os juros altos por mais tempo ou ser mais agressivo do que o previsto para controlar a alta dos preços. Juros altos são má notícia para as empresas e, consequentemente, para os preços das ações.