Considerando o patamar elevado das taxas de juros, que torna a renda fixa mais atrativa e reduz o volume negociado na Bolsa de valores, os analistas do Bank of America (BofA) reduziram seu preço-alvo para as ações da B3 (B3SA3), que passou de R$ 19 para R$ 14 – o equivalente a um potencial de alta de 23% em relação ao fechamento de quinta-feira.
Apesar da redução de preço-alvo, os analistas Mario Pierry, Antonio Ruette, Flavio Yoshida e Ernesto Gabilondo mantiveram a recomendação de compra para o papel, mencionando a incorporação da Neoway, empresa de análise de dados e inteligência artificial adquirida pela B3 no primeiro trimestre, que cria uma nova linha de receita.
Por volta das 14h30 desta sexta-feira, a ação era negociada em alta de 0,09%, a R$ 11,37. Segundo os analistas, o papel vem sendo negociado cerca de 40% abaixo de seus pares e 30% abaixo de seus níveis históricos – outra justificativa para a recomendação de compra.
Ainda, o banco aponta que há chances de os volumes de negociação superarem as expectativas, impulsionados por um aumento de volatilidade antes das eleições. Além disso, o aumento da participação de algoritmos de negociação de alta velocidade (HTF), investidores de varejo e novos produtos, como ETFs, ADRs e REITs, devem manter os volumes acima da média histórica.
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Além do crescimento nas negociações, que garantem uma expansão de receita no curto prazo, o BofA também acredita que a B3 esteja caminhando para uma diversificação de receitas no longo prazo, com a compra da Neoway pavimentando o caminho para que tecnologia e dados passem a representar 18% do faturamento neste ano.
Em 2021, esta linha de receitas correspondeu a 11% do faturamento, enquanto a projeção do BofA para 2023 e 2024 é de 19% e 21%, respectivamente.
Em relação aos lucros, a expectativa dos analistas é que o resultado se mantenha estável em 2022 na comparação com o ano anterior, equilibrando a Selic em alta e a expansão das receitas de dados e tecnologia.
Para o ano que vem, a projeção do banco é que a receita tenha um crescimento mais expressivo, uma vez que os volumes de negociação devem subir seguindo os cortes na taxa Selic.
Os analistas citam, porém, alguns riscos que podem prejudicar a companhia: a dificuldade em prever os volumes de negociação, que dependem das condições de mercado e do apetite ao risco dos investidores; os R$ 45 bilhões em passivos judiciais, que podem limitar o pagamento de dividendos; e ameaças competitivas.