BNDES não vai recorrer ao Tesouro Nacional para subsidiar operações de crédito, diz CFO

Alexandre Abreu participou de painel de evento do Credit Suisse em São Paulo nesta terça-feira (31)

Foto: Shutterstock/Photocarioca

O novo CFO do BNDES, Alexandre Abreu, afirmou no fim da tarde desta terça-feira (31) que o banco não vai recorrer a recursos do Tesouro Nacional para subsidiar operações de crédito, como foi feito na última passagem do PT pelo governo.

Ao participar de painel de evento do Credit Suisse em São Paulo, Abreu ressaltou que “não há espaço fiscal para tirar dinheiro do Tesouro” e não há necessidade.

Segundo ele, o que o BNDES pretende fazer é, com pequenas participações em projetos, de um quinto ou um sexto do negócio, mostrar a investidores, nacionais ou estrangeiros, que o governo tem interesse naquela iniciativa.

Além disso, afirmou, como o banco tem uma das melhores equipes de análise de projetos do país, a entrada do BNDES em algum projeto indica a outros potenciais investidores que aquela iniciativa tem viabilidade.

“A nossa missão é tornar o dinheiro à disposição do BNDES cada vez mais eficiente, para reduzir o preço final ao tomador, mas nunca onerando o Tesouro Nacional”, disse o executivo.

De acordo com ele, para fazer isso, o BNDES pode ter um mix de captações de recursos internacionais e nacionais para fazer a taxa de juros ficar mais barata, além de usar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para operações com empresa, “para a TLP ficar mais próxima da Selic, porque a TLP ficou muito longe”.

Abreu ressaltou ainda que, nos anos 1990, os desembolsos anuais chegavam a algo em torno de 2% do PIB, proporção que subiu para 4% entre 2005 e 2010. Hoje, está em 0,7%. Para ele, voltar aos 4% seria um exagero, mas retomar os 2% pode ser um “bom indicador, ainda a ser referendado pelo planejamento que está sendo construído.”

As prioridades

No painel, o executivo listou ainda quais serão as quatro prioridades do banco: fomentar a transição energética para uma economia mais verde; privilegiar micro, pequenas e médias empresas; incentivar a reindustrialização do país e atuar em projetos de infraestrutura.

Segundo ele, o BNDES não vai atuar em áreas onde o mercado de capitais “se resolve sozinho”. “Não vamos competir com o mercado, mas sim cooperar”, disse.

Quem também participou do painel foi a nova diretora de mercados de capitais do BNDES, Natália Dias, que reiterou que uma das tônicas do banco será preencher lacunas onde o mercado não está e aprofundar o mercado.

Ela lembrou que, nos últimos anos, houve um foco no BNDES para desinvestir em participações maduras, mas disse que não há nenhuma pressão para desinvestimentos no momento. A diretora, inclusive, disse que não vê uma janela de oportunidade para isso.

Dias ressaltou que a proposta do BNDES será cumprir teses de investimentos. “Vamos desinvestir quando percebermos que a tese se cumpriu, mas é preciso também ter visão de portfólio, resgatar a capacidade que o BNDES tem para investir em novos projetos e fomentar setores estratégicos para o mercado brasileiro, como foi no passado com o setor de papel e celulose.”

A executiva fez questão de frisar que o banco já teve uma participação grande com fundos e será uma atuação que o BNDES “vai continuar tendo.” Ela lembrou que o BNDES comprometeu R$ 6 bilhões em fundos, conseguindo alavancar mais de R$ 30 bilhões. “Esse é o perfil do banco, ser indutor e trazer o mercado junto com a gente”.

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