A BlackRock, uma das principais gestoras do mundo, está mais cautelosa com a China.
Num relatório distribuído pelo seu braço de análise, o BlackRock Investment Institute (BII), a instituição disse que está “neutra” em relação a ações e títulos de dívida do país, argumentando que o risco de investir no mercado chinês está maior do que as oportunidades de ganhar dinheiro por lá.
Até então, a BlackRock estava relativamente otimista com os ativos da China e recomendava investir no país porque os indicadores de mercado mostravam que os preços estavam baixos o suficiente para compensar os riscos.
Agora, a piora na perspectiva de crescimento da China por causa das medidas de lockdown para conter a Covid-19 “mudou isso”.
“Os lockdowns vão restringir a atividade econômica. As autoridades da China anunciaram um afrouxamento para evitar prejuízos ao crescimento – mas ainda precisam agir. E os juros dos títulos do governo da China caíram para abaixo dos níveis dos Treasuries, perdendo seu apelo como fonte de renda potencial”, disse o BII em relatório divulgado nesta segunda-feira (9).
O documento também citou a proximidade da China com a Rússia – país que é alvo de várias sanções econômicas internacionais – como fonte de preocupação, pois os investidores estrangeiros podem enfrentar pressão “para evitar ativos chineses por motivos regulamentares, ou outros”.
Desde a invasão da Ucrânia, há mais de três meses, a Rússia enfrenta uma série de sanções da Europa e dos Estados Unidos que vão desde a remoção de bancos russos do Swift — sistema padrão de operações internacionais de instituições financeiras — até o recente anúncio europeu de embargo ao petróleo russo. Oligarcas aliados do governo que dão sustento ao presidente Vladimir Putin também foram alvos de sanções.
Apesar de ter rebaixado a recomendação para a China, o BII elevou para “neutro” sua indicação para o investimento em títulos de dívida soberana de países da Europa, em meio à lenta movimentação do Banco Central Europeu para elevar as taxas de juros diante das pressões inflacionárias. De acordo com os analistas, o cenário apresenta “oportunidades táticas” – ou seja, de curto prazo – aos investidores.