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Bitcoin derrete 10% em dia de pânico global, mas pior ainda está por vir

Bitcoin derrete 10% em dia de pânico global, mas pior ainda está por vir

Cripto fica abaixo de US$ 24 mil e atinge o patamar mais baixo desde dezembro de 2020 em meio à fuga dos investidores

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O mercado de criptoativos desaba nesta segunda-feira (13), acompanhando as perdas generalizadas nas bolsas globais em meio ao temor dos investidores de que o banco central dos Estados Unidos aumente os juros para além do nível esperado na próxima quarta-feira (15).

Outro fator que contribui especificamente para a desvalorização das criptomoedas é o congelamento das operações da Celsius nesta manhã. Em comunicado, a plataforma de empréstimo disse que a suspensão ocorre “devido às condições extremas do mercado”.

A Binance, uma das principais exchanges do mundo, também anunciou nesta manhã a suspensão de saques em Bitcoin (BTC) por por problemas operacionais.

O Bitcoin, principal criptoativo do mercado, caiu para a faixa de US$ 25 mil durante o final de semana e registra o preço mais baixo desde dezembro de 2020. A queda arrastou para baixo as cotações de outros criptoativos. Em algumas altcoins, a desvalorização nas últimas 24 horas supera a casa de 20%.

Por volta das 10h50, o Bitcoin caía 13,1% em 24 horas, negociado a US$ 23.684, conforme dados da CoinGecko. O Ethereum (ETH) perdia 15,9%, enquanto a Cardano (ADA) cedia 9,5%.

O mercado de criptoativos perdeu quase US$ 260 bilhões desde sexta-feira (10) e voltou a registrar menos de US$ 1 trilhão em capitalização nas primeiras horas desta manhã, de acordo com levantamento da CoinMarketCap. É a primeira vez que o ativo fica abaixo desta linha desde o final de janeiro de 2021.

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O temor de um aumento mais intenso que o previsto nos juros dos EUA é o principal ponto de pressão sobre os mercados financeiros globais neste início de semana. Esse medo aumentou notavelmente desde sexta-feira (10), quando o governo americano divulgou que em maio a inflação no país acelerou e superou as projeções do mercado.

Depois de o indicador vir a público, os investidores passaram a enxergar uma pequena possibilidade de o Federal Reserve, banco central dos EUA, aumentar os juros em 0,75 ponto porcentual (pp) na quarta-feira. Antes, a expectativa quase unânime do mercado era de uma elevação de 0,50 pp.

Juros mais altos elevam o rendimento de ativos de renda fixa e aumentam o custo de oportunidade de manter em carteira ativos de renda variável e considerados mais arriscados, como as criptomoedas.

Além disso, os investidores temem que a elevação mais rápida de juros nos EUA possa provocar uma recessão econômica, o que estimula a busca por ativos mais seguros enquanto o clima de insegurança não se dissipa.

Sem perspectiva de melhora

As análises mostram que as criptos ainda não atingiram o fundo do poço e que a fuga de investidores tende a se ampliar nas próximas horas.

Virgílio Lage, analista da Valor Investimento, vê brecha para a cotação do BTC recuar até a faixa de US$ 19 mil em meio às especulações da decisão do Fed. Neste preço, deve ficar mais difícil de a criptomoeda se desvalorizar. “É um suporte que tende a se manter de uma forma bem agressiva”, diz.

Novos mergulhos ou a recuperação do mercado dependerão do tom que a autoridade monetária expor ao falar sobre os desafios de controlar a variação de preços.

Segundo Lage, mesmo que o Fed siga o roteiro que era esperado anteriormente e anuncie um aumento de 0,50 pp nos juros, o Bitcoin não deve voltar para a casa dos US$ 30 mil observada ao longo das últimas semanas.

“A cotação deve voltar a receber um fluxo comprador e ficar em torno de US$ 27 mil, já que uma alta de 50 pontos-base é algo bastante negativo”, afirma.

Em nota aos investidores, a plataforma de negócios Oanda afirmou que a situação tende a piorar se a queda generalizada do mercado contaminar a estabilidade das stablecoins pareadas ao dólar, como observado há quase um mês após o colapso da blockchain da Luna Foundation.

Celsius congela atividades e Binance anuncia suspensão de saques

O clima negativo gerado pelas condições macroeconômicas ficou ainda mais pressionado após a Celsius, plataforma que faz empréstimos em ativos digitais, anunciar na manhã desta segunda-feira que iria suspender todas as transações.

Em comunicado aos investidores, a Celsius afirmou que a decisão foi tomada devido às adversidades do mercado. “Estamos tomando essa ação necessária para o benefício de toda a nossa comunidade, a fim de estabilizar a liquidez e as operações enquanto tomamos medidas para preservar e proteger os ativos”, informou.

A empresa não definiu programas para saques ou estipulou prazo para que as atividades sejam normalizadas.

Em nota divulgada nesta manhã, Marcus Sotiriou, analista da asset GlobalBlock, afirmou que a medida aumenta o temor de insolvência da plataforma entre os investidores “depois de ter sido amplamente especulado que eles foram irresponsáveis ​​com os fundos dos clientes”. 

A Binance, uma das principais plataformas de compra e venda de criptoativos no mundo, também anunciou nesta manhã a suspensão dos saques em Bitcoin por problemas operacionais.

Inicialmente, o CEO da exchange, Changpeng Zhao, afirmou pelo Twitter que a paralisação se estenderia por meia hora. Minutos depois, o CEO voltou à rede social para informar que a solução do problema vai demorar mais tempo do que o previsto.

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