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Biden acalma Bolsa, mas há um cenário em que nervosismo pode voltar, segundo este gestor

Biden acalma Bolsa, mas há um cenário em que nervosismo pode voltar, segundo este gestor

Rapidez na imposição de sanções por parte do Ocidente alivia o temor do mercado, segundo Renan Vieira, da Taruá Capital

Bandeiras da Rússia e da Ucrânia

Foto: Shutterstock

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Com a invasão da Ucrânia pela Rússia e o aumento das tensões entre o leste europeu e o Ocidente, o mercado tem vivido dias de incerteza e aflição, com as Bolsas caindo ao redor do mundo.

No entanto, para Renan Vieira, gestor e sócio-fundador da Taruá Capital, a rápida resposta dos Estados Unidos e da Europa, que têm mostrado agilidade ao impor sanções diante de qualquer sinal de avanço nas operações militares da Rússia, deve impedir que a aversão ao risco perdure nos mercados.

Assim, a visão do gestor é que o momento abre oportunidades de compra para ações brasileiras, que estão em patamares muito baixos de preço depois da desvalorização da Bolsa local no ano passado.

O risco, ele diz, é se a Rússia avançar novamente e houver uma omissão do Ocidente, sem novas retaliações.

Confira a entrevista completa a seguir:

Como o conflito entre a Rússia e a Ucrânia deve afetar a Bolsa brasileira?

A oportunidade é de compra, na minha opinião. Ontem o [Vladimir] Putin [presidente da Rússia] fez algo mais agressivo. E toda vez que ele fizer isso, tanto o Estados Unidos quanto os países da Europa vão aplicar sanções na Rússia. Quando Biden começou a falar ontem, o que aconteceu com o S&P 500? Saiu de 2,5% de queda para zerar. A nossa Bolsa aqui só não está no positivo porque Petrobras está sofrendo – os ativos locais, como os setores de consumo e shopping, que não têm nada a ver com Rússia e Ucrânia, estão subindo. Isso já vinha acontecendo nas últimas semanas. Aparece um estresse, o mercado realiza, mas, com as sanções, alguns ativos locais sobem.

E  o que poderia piorar a situação?

Se a Rússia avança na Ucrânia e o mercado não vê nada prático em termos de sanções vindo da Europa e dos Estados Unidos. Isso criaria um problema grande no mercado, mas não é isso que estamos vendo. Agora, é óbvio que é um cenário ruim e que ninguém quer que isso avance. A Bolsa americana tem sofrido muito, assim como as Bolsas europeias. Claro que é um cenário de incerteza e de dúvidas. Mas a Bolsa brasileira já caiu. O ano de 2021 foi uma tragédia para nós. É por isso que, nas últimas semanas, sempre que tem um movimento mais agressivo da Rússia em relação à Ucrânia e os ativos sofrem, temos visto oportunidade de compra. É claro que, se esse cenário se prolongar por muito tempo e as coisas começarem a piorar, vamos ter um cenário bastante complicado para os mercados globais. Mas, na minha opinião, a tendência, se isso acontecer, é que os mercados internacionais sofram mais do que o nosso, por uma questão de valuation.

Uma aversão ao risco generalizada não pode prejudicar os emergentes?

Tem muita gente falando que o cenário é ruim para os emergentes, que nós já subimos muito, que a nossa moeda se valorizou… Eu concordo e discordo. A nossa moeda está valorizando neste ano porque nossos juros subiram muito mais do que os outros juros lá fora. Por uma questão matemática e de valuation. Foi uma moeda que sofreu muito no ano passado, abriu um carrego de juros muito grande, e agora está se beneficiando desse movimento, junto com o valuation das empresas brasileiras, que caiu muito ano passado e estão bem atrativas. Não podemos esquecer também que teve um rali do petróleo antes da Rússia e da Ucrânia, o que ajuda Petrobras e PetroRio. O minério de ferro também se valorizou bem neste ano e isso ajudou bastante a Vale. Obviamente, esse juros mais altos aqui beneficiam também os bancos brasileiros. Não por acaso, Bradesco e Itaú também estão muito bem no ano. É uma série de fatores que explica um pouco porque eu acho que tem oportunidade no mercado.

Em quais setores e empresas estão as maiores oportunidades?

Se o cenário acalmar, eu acho que os ativos locais, como shoppings, vestuário e o setor de energia elétrica devem performar bem. Por outro lado, eu acho que a Petrobras, que foi um bom hedge para os gestores nas últimas semanas, tende a ter performance inferior, porque acho que o petróleo recua. Se não houver um cenário mais calmo, todos os ativos ligados a petróleo tendem a performar melhor, e os outros ativos que mencionei, como varejo, consumo e energia elétrica, tendem a dar uma variada nos próximos dias. Além disso, se continuarmos vendo um cenário de estresse, acho que os investidores irão para ações mais defensivas, como as petrolíferas, e empresas de utilidades públicas, como Equatorial e CPFL, que não devem sofrer muito, porque são empresas que já estão sendo negociadas a um valuation muito atrativo, oferecem um retorno para o investidor muito grande nesse atual nível de preço, e não devem sofrer por causa da Rússia, que não tem nada a ver com eles.

E quais ativos podem sofrer por causa da Rússia?

Por exemplo, a BRF. O preço do trigo, que é o insumo que que a empresa usa, está subindo. Então a companhia vai sofrer, porque seu custo vai aumentar. O preço do alumínio também está explodindo, porque a Rússia é um grande produtor, e isso pesa, por exemplo, no custo da Ambev, que tem que fazer hedge com as latinhas de alumínio. Então algumas empresas realmente vão sofrer. E outras eu acho que se beneficiam, como a Petrobras e a PetroRio, com o petróleo mais alto. Então eu acho que tem um pouco de stock picking para fazer nesse mercado. É um mercado de gestão ativa.

 

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