BB-BI vê Ibovespa a 137 mil pontos no fim de 2022; veja ações recomendadas

Índice deve terminar o próximo ano aos 137.000 pontos, na análise do banco

Foto: Divulgação

Apesar de todas as incertezas que rodeiam as expectativas para 2022, o BB-BI espera que o Ibovespa termine o ano aos 137 mil pontos, o que representa alta de 30% em relação ao nível de fechamento de 20 de dezembro.

“Como são muitas as incertezas acerca do crescimento econômico para o ano que inicia, que ainda sofrerá com pressão inflacionária e juros no patamar de dois dígitos, essa pontuação tende a ser revista à medida que forem sendo divulgados os resultados das empresas, bem como pelo refinamento da nossa visão sobre as taxas de desconto”, ressalta o documento.

A expectativa do banco é que a bolsa siga vulnerável às expectativas macroeconômicas do Brasil e do mundo, assim como em 2021.

Olhando para o exterior, o banco identifica um cenário de cautela, considerando a escalada da inflação ao redor do globo e as expectativas de alta de juros nos Estados Unidos, o que pode reduzir a liquidez dos mercados. A queda no crescimento da China também pode fazer peso, principalmente no preço das commodities, setor com grande influência na bolsa brasileira.

Internamente o cenário também é complexo, na análise do banco, com volatilidade adicional trazida pelas eleições presidenciais de 2022. O âmbito fiscal deve seguir no foco dos investidores, assim como a inflação e a postura do Banco Central para combatê-la.

No entanto, apesar do cenário desafiador, o fato de as ações brasileiras estarem extremamente baratas deve ser considerado, segundo o banco.

Além disso, do lado positivo, o avanço da vacinação no Brasil sugere que os impactos da variante Ômicron do coronavírus por aqui podem ser mais leves do que na Europa. “Caso esse contexto se confirme, o que produzirá maior visibilidade sobre a expectativa de crescimento econômico para 2023, poderemos experimentar a antecipação do movimento de recuperação na bolsa a partir do segundo semestre”, diz o relatório.

No entanto, há alguns fatores de risco para a projeção do banco. Um deles é a redução da liquidez global, que, assim como a alta de juros nos Estados Unidos, pode causar uma migração de recursos para o exterior. Internamente, os riscos são relacionais à intensificação da volatilidade devido às eleições e a uma maior fragilidade do quadro fiscal.

Confira a análise e as recomendações do BB-BI por setor.

Bancos

Ainda que a maior parte dos bancos esteja em rota de retomada, o BB-BI avalia que incertezas em torno da inadimplência, um provável arrefecimento no crescimento do crédito e o aperto da concorrência geram certa cautela, de modo que o banco tem uma visão neutra sobre o setor. As ações preferidas são BTG Pactual (BPAC11) e Santander (SANB11), que, na análise do BB-BI, “representam um mix entre empresas que operam com as melhores rentabilidades do setor enquanto crescem a um ritmo pujante e sustentável”.

Seguros

O banco vê um cenário positivo para as seguradoras, que ainda devem enfrentar consequências da pandemia, mas de forma mais leve. A escolha do BB-BI no setor é Caixa Seguridade (CXSE3), pois a análise é que empresas com melhor eficiência nos negócios de subscrição e que atuam dentro de um ecossistema bancário devem se destacar.

Bolsa de valores

O mercado de bolsa de valores no Brasil, representado pela B3 (B3SA3), teve forte crescimento nos últimos anos, aponta o banco, mas o cenário projetado é de estabilização no número de investidores, consequência das altas na taxa de juros. A visão do banco para o setor é neutra.

Meios de pagamento

O BB-BI está pessimista com o mercado de meios de pagamento, prevendo que a concorrência deverá crescer com a solução de problemas tecnológicos que vieram inibindo o crescimento do setor.

Mineração

A visão do banco para o setor de mineração é neutra, considerando as incertezas em torno do mercado de minério de ferro e uma desaceleração da demanda da China no curto prazo. Assim, ainda que os preços do minério devam continuar voláteis, o BB-BI acredita que grandes mineradoras ainda deverão apresentar margens atrativas, como a Vale (VALE3), escolha do banco no setor.

Siderurgia

O cenário também é positivo para a siderurgia, segundo o banco, com menor produção de aço na China e demanda aquecida, que devem apoiar os preços da commodity. As preferidas do setor são CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4).

Papel e celulose

O BB-BI é menos otimista com o mercado de celulose, e espera uma performance neutra, levando em consideração a desaceleração da economia da China e um aumento da capacidade de produção, que devem limitar a demanda e a alta nos preços. Para o papel, a demanda e os preços devem seguir resilientes.

Óleo e gás

A perspectiva é otimista para o setor, com preferência por Petrobras (PETR4) e Vibra (VVBR3). A primeira deve seguir se beneficiando da alta nos preços do petróleo, do aumento na produção e da redução dos custos de extração, enquanto a segunda deve ser impulsionada pela recuperação do volume de vendas.

Agronegócio

Ainda em commodities, o cenário também é positivo para o agronegócio, segundo o banco, que tem preferência pela SLC Agrícola (SLCE3), com base na expectativa de demanda aquecida e na alta nos preços das commodities. O BB-BI menciona ainda a integração das operações com a Terra Santa, aquisição recente.

Proteínas

O setor de proteínas também tem perspectiva positiva, na visão do banco. A demanda deve continuar aquecida e beneficiar as exportações. No Brasil, a situação econômica deve favorecer o consumo de frango e suínos, o que abre caminho para que a JBS (JBSS3), que produz todas as proteínas, colha bons frutos.

Alimentos e bebidas

Já para alimentos e bebidas, as perspectivas são neutras, devido a um contraste entre o avanço da vacinação e a boa estratégia das empresas e o aumento dos custos, que pressiona as margens.

Açúcar e etanol

O cenário também é neutro para o setor, em que a produção de cana deve cair devido às condições climáticas, mas será compensada pelos preços elevados, causados pela expectativa de déficit na produção e queda nos estoques, para o açúcar, e pelos altos preços do petróleo, no caso do etanol.

Energia elétrica

A visão para o setor é neutra, e o banco aponta que cada segmento deve passar por um cenário distinto. Para as geradoras, há possibilidade de expansão no mercado livre. As hidrelétricas, por sua vez, estão baratas, o que pode abrir oportunidades. No caso das transmissoras, os leilões realizados entre 2016 e 2029 devem seguir entregando frutos. As distribuidoras, finalmente, seguem lidando com a alta da inadimplência e com os altos custos de geração, ainda que venham conseguindo recuperar volumes. A escolha do banco é por Alupar (ALUP11).

Saneamento

O cenário deve ser agitado e positivo para o setor, com novas concessões no horizonte, privatizações já encaminhadas e avanço no projeto de transposição do Rio São Francisco. O contexto deve beneficiar a Copasa (CSMG3), preferência do banco.

Transportes

O setor de transportes também deve ter um 2022 positivo, com retomada dos voos domésticos e internacionais, união entre Unidas (LCAM3) e Localiza (RENT3) e grande potencial para o mercado de locação de veículos. As escolhas do banco para o setor são Azul (AZUL4), Localiza e Simpar (SIMH3).

Varejo

As perspectivas também são boas para o varejo, ainda que o ano deva ser desafiador em um contexto de alta nas taxas de juros. “Entendemos que as ações do setor devem voltar ao radar do investidor à medida em que observamos sinais de gradual melhoria das vendas e inflação, bem como perspectivas de um afrouxamento monetário”, diz o documento, que declara preferência por Americanas (AMER3), Lojas Renner (LREN3), Magazine Luiza (MGLU3) e Grupo SBF (SBFG3).

Construtoras

O banco não é tão otimista com as construtoras e projeta um cenário neutro para o setor, considerando a elevação das taxas de juros, que podem enfraquecer as vendas. No entanto, acredita que grande parte desse risco já está precificada, e que a desaceleração da inflação e uma eventual redução na taxa de juros devam beneficiar o setor. A escolha por MRV (MRVE3) leva em conta a diversificação das fontes de receita, que a protegem em um cenário desafiador.

Shoppings

O cenário também é neutro para os shoppings, que podem encontrar recuperação com a reabertura econômica, mas ainda devem encarar uma série de desafios, como as altas do desemprego e da inflação. O destaque do setor é a Multiplan (MULT3), devido ao robusto portfólio de shoppings e aos múltiplos descontados.

Educação e saúde

Finalmente, as perspectivas para educação e saúde também são neutras, visto que são setores relacionados ao cenário doméstico, fortemente influenciados pelas expectativas de crescimento, pela taxa de desemprego e pela renda. Apesar disso, a Rede D’Or (RDOR3) se destaca por sua tese de investimentos robusta e seu potencial de crescimento e rentabilidade para o acionista.

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