Apesar de ensaiar um movimento de recuperação na parte da manhã, o Ibovespa acompanhou o clima negativo que tomou conta da maior parte do mercado internacional nesta terça-feira (14) e encerrou a sessão em queda de 0,52%, aos 102.063 pontos, com R$ 18,04 bilhões em volume negociado.
Este foi o oitavo pregão seguido que o principal indicador da B3 encerra no vermelho. Com o desempenho, o Ibovespa soma queda de 8,34% em junho, e de 2,63% na parcial de 2022.
Os principais mercados globais também tiveram um dia de perdas. Em Wall Street, o Dow Jones fechou em queda de o,50%, enquanto o S&P 500 caiu 0,38%. No caminho oposto, a Nasdaq teve uma alta de 0,18%.
Na Europa, por sua vez, o Eurostoxx 50 encerrou a sessão com perdas de 0,74%, enquanto o alemão DAX caiu 0,91% e o britânico FTSE 100 perdeu 0,25%.
Juros altos seguem pressionando
Em um dia com a divulgação do desempenho da prestação dos serviços no Brasil e a inflação ao produtor americano, os mercados seguiram refletindo o clima de tensão às vésperas da divulgação dos próximos rumos dos juros nos Estados Unidos e no Brasil.
No lado americano, o temor é que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) eleve a taxa em 0,75 pp (ponto percentual) e acabe contratando uma recessão na maior economia do mundo.
Até a semana passada, o mercado acreditava em um avanço de 0,50 pp, mas as avaliações foram revistas após dados do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de abril virem acima do esperado ao apontarem avanço de 8,6% na comparação anual.
Mais cedo, os dados do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) mostraram alta de 10,8% na comparação com abril do ano passado, dentro das expectativas do mercado.
Já o Copom (Comitê de Política Monetária) deve anunciar uma alta de 0,50 pp, elevando a Selic a 13,25% ao ano. A principal atenção dos investidores estará nos recados que o colegiado vai dar sobre uma nova alta no encontro de agosto.
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Parte do mercado enxerga espaço para mais um acréscimo de meio ponto e o encerramento do ciclo de alta dos juros ao patamar de 13,75% ao ano.
“Desde a madrugada de domingo para segunda os mercados asiáticos já mostravam um pessimismo com essa ‘superquarta’ após a inflação ter vindo mais forte nos EUA”, avalia Vinicius dos Santos, assessor da SVN Investimentos.
Com essas contas e expectativas em mente, os investidores buscaram fugir de ações mais expostas à economia doméstica, que tende a sofrer com a alta dos juros lá fora e internamente.
A fila de perdas desta terça-feira foi puxada pelos papéis da Via (VIIA3 -10,20%), seguida pelas ações da CVC (CVCB3 -6,70%) Positivo (POSI3 -5,94%), CSN Mineração (CMIN3 – 5,33%) e BRF (BRFS3 -5,32%).
Ponta de cima
No campo positivo, as ações foram lideradas pela Eletrobras, que encerrou oficialmente o processo de privatização em uma cerimônia na B3 com a presença do presidente Jair Bolsonaro (PL), do ministro da Economia, Paulo Guedes, entre outros membros do governo.
Os papéis ordinários (ELET3) e preferenciais (ELET6) subiram 3,37% e 2,36%, respectivamente. O grupo de alta ainda contou com a presença da CPFL Energia (CPFE3 3,15%), Weg (WEGE3 1,81%) e Totvs (TOTS3 1,30%).
Serviços crescem abaixo do esperado
A prestação de serviços subiu 0,2% em abril ante março, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação a abril do ano passado, o setor teve alta de 9,4%.
Os dados vieram abaixo do esperado pelo mercado e acenderam sinais de alerta para a desaceleração do setor nos próximos meses a partir do esgotamento dos efeitos das medidas de estímulo econômico injetadas pelo governo federal, como o reajuste do salário mínimo, a distribuição do Auxílio Brasil e a liberação dos saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Somada a essa perda de gás está a continuidade da inflação em patamares elevados, que deve manter a corrosão do poder de compra dos brasileiros, e a manutenção dos juros acima de 13% ao ano por mais tempo do que o previsto inicialmente, impactando diretamente no encarecimento da tomada de crédito e na desaceleração das atividades econômicas.
“O setor foi o grande destaque do lado da oferta no primeiro trimestre, mas deve ter uma contribuição menor no segundo”, diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho. “A recuperação cíclica já está chegando no fim, e temos ainda um cenário de inflação alta, juros elevados e incerteza eleitoral”, completa.
Bitcoin
Acompanhando as perdas generalizadas nos mercados tradicionais, os criptoativos também tiveram uma sessão no vermelho e ampliaram as fortes perdas registradas na véspera.
Por volta de 17h05, o Bitcoin (BTC) registrada queda de 2,71% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 22.166, conforme dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.
Este é o pior patamar para a maior cripto em volume de capitalização desde o fim de 2020 e reforça a fuga dos investidores de ativos de risco em meio às incertezas do cenário internacional.
O pessimismo é ainda maior nas altcoins, os criptoativos além do BTC. O Ethereum (ETH) registrava perda de 2,8%, enquanto a Cardano (ADA) perdia 0,8%, de acordo com informações da CoinGecko.