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As cartas na manga da Positivo (POSI3) para compensar a queda no mercado de PCs

As cartas na manga da Positivo (POSI3) para compensar a queda no mercado de PCs

Empresa tem apostado em outros clientes, do setor público e do mundo corporativo, e em outros tipos de produtos, para terminar o ano em alta

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A venda de computadores representa mais da metade da receita total da Positivo. Foto: divulgação

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A Positivo, uma das principais fabricantes de computadores do Brasil, foi uma das empresas que mais se beneficiaram do isolamento social imposto pela pandemia ao longo dos últimos dois anos. 

Com as pessoas passando mais tempo em casa, principalmente para trabalhar, aumentou a demanda por notebooks, celulares e tablets.

A venda de notebooks da Positivo, por exemplo, mais do que dobrou no acumulado de janeiro a setembro de 2021, no balanço mais recente da empresa, que só divulgará os números do quarto trimestre no dia 22 de março. 

Nos nove primeiros meses do ano passado, o faturamento com notebooks atingiu R$ 1,4 bilhão, expansão de 105% em relação a igual intervalo do ano anterior. 

Os tables e celulares, somados, tiveram a mesma taxa de expansão no período. Juntos, foram responsáveis por uma receita de R$ 595,7 milhões. 

A Positivo, porém, já começa a perceber sinais de esgotamento no mercado de computadores.

Não só porque o boom de vendas causado pela pandemia tem perdido força, mas também porque o País caminha para uma conjuntura econômica que combina estagnação do PIB, inflação em alta e juros de dois dígitos – uma receita que faz o consumidor perder poder de compra. 

Como consequência, a companhia estima que, em 2022, o mercado de computadores (que soma notebooks e desktops) deve apresentar uma retração de 10% a 15%. 

A queda no consumo, contudo, não será suficiente para derrubar o faturamento da Positivo em 2022, afirma o CFO da Positivo, Caio Moraes, em entrevista à Agência TradeMap. 

Segundo ele, a companhia aposta em outras frentes de negócios para mais do que compensar o menor ímpeto dos consumidores do varejo para comprar computadores.

Engana-se, porém, quem pensa que a Positivo diversificou suas receitas às pressas para ter condições de atravessar o período anêmico que se avizinha para a economia. 

Trata-se de um esforço que começou lá atrás, em 2016, quando a empresa, concentrada no negócio de computadores e no varejo, sentiu na pele uma mudança de hábito dos consumidores em geral, que passaram a comprar menos PCs, para substituí-los por smartphones e tablets, estes cada vez mais modernos e desempenhando bem as funções básicas de um desktop ou um notebook. 

Não bastasse isso, o Brasil ainda vivia, à época, uma recessão econômica que começou em 2015 e continuou em 2016, levando a uma retração acumulada do PIB de mais de 7%. 

Resultado: enquanto a venda de computadores caiu 28% entre 2011 e 2016 no mundo, como reflexo das novas tendências, o Brasil teve uma queda mais de duas vezes maior, de 71%. 

“A empresa fez uma reflexão e entendeu que não podia mais depender tanto do mercado de computadores e do varejo”, afirma Moraes. 

De lá para cá, a Positivo não só diversificou os produtos e serviços – entrando também nos negócios de servidores, hardware as a service, tecnologia educacional, meios de pagamentos, casas inteligentes e urnas eletrônicas –, como também a clientela, apostando mais em clientes corporativos e do setor público.

Mas não é uma tarefa fácil. Os clientes do varejo, embora já tenham sido uma fatia maior (de 63,4% em 2016), ainda representam mais da metade da receita da Positivo, de 56,2%. O mesmo vale para os computadores, que ainda são o principal produto da empresa, com 62% de participação no faturamento.

 

No esforço de diversificação, um caso interessante é o das urnas eletrônicas. Em 2020, a empresa venceu a licitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para renovar o parque de equipamentos de votação. Para as eleições de 2022, a empresa estima um faturamento de R$ 925 milhões, dos quais 10% já recebeu na reta final do ano passado.

Além da urnas, a Positivo também fornece computadores e tablets para o setor público, que também deve passar por um ciclo de renovação do seu parque em 2022. “Praticamente não houve investimento durante a pandemia, especialmente para estados e municípios”, justifica.

Segundo Moraes, das licitações já vencidas pela Positivo e com entregas a serem feitas a partir de outubro, há R$ 1,7 bilhão em receita contratada, sem considerar as urnas para as eleições de 2022.

Entre as novas frentes que a Positivo passou a investir ao longo da última década, uma das mais maduras é a de servidores, que atraíram R$ 91,4 milhões em receita para a companhia no acumulado de janeiro a setembro de 2021. 

O valor representa uma queda de 18% em relação a 2020, mas não considera um contrato importante que a empresa fechou com a Petrobras no início desse ano, para o fornecimento de servidores que ajudarão a estatal a fazer prospecção de petróleo em águas profundas. 

Além disso, no negócio de maquininhas de pagamentos, a Positivo avançou ao deixar de ter um contrato de exclusividade com a Cielo, que durou cinco anos. Em outubro, por exemplo, tornou-se também fornecedora da Stone. 

Para o longo prazo, a empresa tem como meta ampliar a participação das novas verticais no negócio e, dentro delas, quer aumentar a fatia da receita de serviços.

“Isso nos trará expansão de margens e melhores retornos sobre o capital, porque as novas avenidas têm melhores margens que o nosso core business (venda de computadores e para o varejo)”, diz o executivo.

A Positivo, no entanto, não tem contado com o bom humor dos investidores nos últimos meses, marcados pelo aumento da taxa de juros no Brasil, que costuma ter um efeito negativo sobre empresas de tecnologia, que em geral têm uma tese de investimento mais arriscada e precisam captar recursos no mercado para financiar suas expansões. 

No acumulado de 2021, a ação da companhia tem desvalorização de 21,9%. Nos últimos seis meses, as perdas são de 35,3%. 

O analista Bernardo Guttmann, da XP, contudo, acredita que a Positivo tem um perfil diferente daquele que predomina entre as empresas de tecnologia listadas na Bolsa, em que a maioria realizou IPO nos últimos dois anos.

Com capital aberto desde 2006, a Positivo é uma empresa mais madura, que gera caixa e resultado, ele ressalta. “É diferente, por exemplo, da Locaweb, que está reinvestindo e vive um ciclo de maturação mais longo. A Positivo não deveria ser muito impactada pela elevação dos juros”, diz. 

A corretora, que recomenda compra para a Positivo, estima um preço-alvo de R$ 16 para a ação, valorização potencial de 95% em relação ao fechamento de quarta-feira (2), quando o papel encerrou o pregão cotado a R$8,20, em alta de 2,63%.

Segundo levantamento feito pela Refinitiv, apresentado na plataforma do TradeMap, a Positivo é uma unanimidade entre analistas. As três casas consultadas recomendam a compra do papel. As estimativas de preço-alvo apontam para um preço-alvo de R$ 15,50.

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