O BB Investimentos iniciou nesta terça-feira, 23, a cobertura dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da XP Inc. (XPBR31) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 269,50 para o final de 2022, o que representa um potencial de valorização de 69,1% frente ao preço de fechamento do pregão de segunda-feira, de R$ 159,42.
Quanto às ações negociadas na Nasdaq (XP), a projeção é de um preço-alvo de US$ 49 para dezembro do ano que vem, ou seja, um potencial de valorização de 70%, conforme a cotação dos papéis na véspera, de US$ 28,70.
Segundo a área de análise do Banco do Brasil, o principal fator que levou à recomendação de compra foi a continuidade do crescimento de ativos sob custódia (AuC) da XP, pilar considerado fundamental para a formação de sua receita.
O relatório aponta que, desde 2018, os ativos sob custódia apresentaram crescimento anualizado de aproximadamente 68%, embora esse avanço tenha perdido força nos últimos trimestres, com pouco mais de 27% anualizado nos três trimestres deste ano.
“Entendemos que essa redução no ritmo se deve à elevada base de clientes conquistada pela companhia, bem como ao acirramento da concorrência com outras instituições que estão replicando a sua estratégia, tais como BTG Digital”, ressalta o BB Investimentos.
Os novos integrantes do sistema financeiro também disputam o público investidor, assim como os bancos tradicionais, que procuram se reinventar para defender sua base de clientes com portfólio mais abrangente de produtos de investimentos.
Diante deste cenário, o banco projeta um crescimento anual no AuC ainda robusto para o ano que vem, de 25%, com redução gradual no longo prazo para uma expansão em linha com a atividade econômica.
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Take rate
O analista Henrique Tomaz comenta que, para projetar as receitas geradas no pilar varejo, que representa 75% das receitas da XP, observou a relação de sua receita dividida pelo total de ativos sob custódia (take rate).
“O take rate pode variar de acordo com o portfólio dos ativos sob gestão e pode ser elevado com o aumento de produtos de investimento que geram mais receitas proporcionais para a companhia, como fundos com maiores taxas de administração ou produtos financeiros com maiores spreads, por exemplo”, aponta.
Por outro lado, o acirramento da concorrência tende a forçar a XP Inc. a oferecer produtos menos onerosos para os investidores, o que deve reduzir o take rate.
Vale lembrar que o indicador apresenta uma trajetória de queda, saindo de 1,540%, no início de 2018, para 1,267% no terceiro trimestre de 2021, uma retração média anualizada de 0,076 ponto percentual.
Apesar da queda significativa no período, os últimos trimestres reportaram uma retração mais gradual, que reduziu a trajetória de queda para 0,032 ponto percentual. Diante deste cenário, BB Investimentos projeta um ritmo moderado de redução no take rate da companhia, com estabilização em 1,10% no longo prazo.
Outras frentes
A XP Inc. também gera receitas oferecendo soluções para investidores institucionais, prestação de serviços de mercado de capitais, conteúdos digitais, serviços de banking – como cartões de crédito e crédito colateralizado.
“Entendemos que a XP tem espaço para continuar crescendo nestes segmentos e projetamos a sua continuidade num ritmo ligeiramente inferior ao do pilar varejo, o que levará sua representatividade agregada de 24,5% atualmente para 22% no longo prazo”, destaca o relatório.
Nesta terça-feira, os BDRs da companhia subiam 1,84%, a R$ 162,36, por volta das 13h55. Em um ano, por outro lado, os recibos acumulam queda de quase 28% na B3.
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