Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

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A semana foi marcada pela divulgação de indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, que pautaram o humor dos investidores ao longo dos pregões. O Ibovespa fechou a semana em queda de 0,21%. 

No cenário internacional, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos avançou 0,5% em maio, em termos ajustados sazonalmente, resultado em linha com as projeções do mercado. Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI) registrou alta de 1,1% no mesmo período, superando a estimativa de 0,7%. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio avançou 0,58%, acima da projeção de 0,53%, embora tenha desacelerado 0,09 ponto percentual em relação aos 0,67% registrados em abril. 

Maiores altas 

As ações da Cury (CURY3) lideraram as altas da semana, com valorização de 11,88%, após o JPMorgan elevar a recomendação do papel para overweight, equivalente à compra. O banco fixou preço-alvo de R$ 43,50 para as ações, citando potencial de valorização de aproximadamente 50% até dezembro de 2026. Entre os fundamentos destacados estão o valuation atrativo com os papéis negociados a 7,2 vezes o lucro projetado para 2026 e 6,1 vezes o estimado para 2027 , dividend yield esperado de 9% no ano e o maior retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) entre as incorporadoras cobertas pelo banco, com projeção de 82% para 2026. 

Direcional (DIRR3) avançou 8,83% na semana, também após elevação de recomendação pelo JPMorgan para overweight. O banco apontou potencial de valorização de cerca de 55% e classificou a incorporadora como sua segunda empresa favorita do setor. Os analistas destacaram a possível valorização do banco de terrenos da companhia em Belo Horizonte, caso seja aprovada a nova lei de zoneamento da cidade, e a parceria com a MDNE para desenvolvimento de projetos habitacionais de baixa renda no Nordeste, iniciativas que, segundo o banco, podem adicionar aproximadamente R$ 1 bilhão por ano em Valor Geral de Vendas. 

Cyrela (CYRE3) subiu 7,72% na semana. O movimento foi impulsionado pela aprovação, pelo Conselho de Administração da companhia, de um novo programa de recompra de ações, que prevê a aquisição de até 9.680.000 ações ordinárias e até 4.800.000 ações preferenciais no prazo de 18 meses. O conselho também autorizou o cancelamento de 3.353.550 ações preferenciais que estavam em tesouraria, operação realizada sem redução do capital social, que permanece em R$ 6,184 bilhões. Após o cancelamento, o capital social passa a ser representado por 453.446.450 ações. A companhia informou ainda que pretende submeter à Assembleia Geral proposta de alteração do artigo 5º de seu Estatuto Social para refletir a nova quantidade de ações emitidas. 

Maiores quedas 

Natura (NATU3) registrou a maior queda da semana, de 11,93%, pressionada pelos resultados do primeiro trimestre de 2026, que ficaram abaixo das expectativas do mercado, com prejuízo líquido mais que triplicando na comparação anual. O movimento foi agravado por revisões conservadoras de analistas e pela perspectiva de encerramento antecipado do compromisso da Advent International com os papéis ao final de junho, o que pode intensificar a pressão vendedora sobre a ação. 

Totvs (TOTS3) encerrou a semana com queda de 9,97%. A empresa aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 0,18 por ação, com direito ao provento para acionistas com posição registrada ao fim do pregão de 15 de junho de 2026. A partir de 16 de junho, os papéis passam a ser negociados na condição ex-JCP. 

MRV (MRVE3) recuou 7,50% na semana, após o JPMorgan rebaixar a recomendação da companhia para neutra, com preço-alvo de R$ 7. O banco revisou significativamente para baixo as estimativas para a subsidiária americana Resia, que deverá registrar perdas adicionais no processo de desinvestimento, levando a uma redução de 70% na projeção de lucro por ação para 2026 e de 35% para 2027. A MRV segue como a empresa mais alavancada do setor, com dívida líquida equivalente a aproximadamente 102% do patrimônio líquido ao final do primeiro trimestre de 2026. 

A semana foi dominada pelo setor de construção civil, que concentrou as maiores altas após revisões positivas do JPMorgan para incorporadoras de baixa e média renda. No campo negativo, o destaque ficou com papéis pressionados por resultados fracos e rebaixamentos de recomendação. No cenário macroeconômico, a inflação acima do esperado no Brasil e o PPI americano surpreendendo para cima reforçam o ambiente de cautela para as próximas semanas. 

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