Ibovespa registra o melhor início de ano desde 2012

Fonte: Shutterstock/FeLopes

O Ibovespa começou 2026 em forte alta e acumula valorização de 8,98% até o dia 22 de janeiro, registrando o melhor início de ano desde 2012. Nesta quinta-feira (22), o índice fechou em alta de 2,20% aos 175.589 pontos.

O desempenho neste início de 2026 supera períodos de forte alta como 2017, 2018 e 2019, e marca uma reversão relevante em relação ao começo negativo de 2024. A sequência de recordes — renovados pelo terceiro pregão consecutivo — levou o índice a patamares históricos acima dos 177 mil pontos no intraday, refletindo um ambiente de maior apetite ao risco.



O principal vetor desse movimento tem sido a entrada expressiva de capital estrangeiro. Até 20 de janeiro, o saldo positivo de investidores externos na B3 somava R$ 8,77 bilhões, em meio a uma rotação global de portfólios que favorece mercados emergentes. A intensificação das tensões geopolíticas e comerciais envolvendo os Estados Unidos tem estimulado a redução de posições em ativos americanos e o redirecionamento de recursos para países como o Brasil, vistos como relativamente menos expostos a esses riscos. O recuo recente do presidente Donald Trump em relação às ameaças tarifárias à União Europeia e a suavização do discurso sobre a Groenlândia contribuíram para aliviar as tensões e impulsionar os mercados globais nesta semana.

No cenário doméstico, a expectativa de início do ciclo de cortes na taxa Selic também contribui para o otimismo. Com o IPCA de 2025 fechando em 4,26% — dentro do teto da meta do Banco Central — e sinais de desaceleração econômica, o mercado passou a precificar o início do afrouxamento monetário a partir de março, o que tende a aumentar a atratividade da renda variável frente à renda fixa. O dólar Ptax, por sua vez, recuou para R$ 5,31, menor patamar em dois meses, reforçando o movimento de entrada de capital.

O cenário eleitoral de 2026 também entra no radar dos investidores. Embora as pesquisas mostrem o presidente Lula liderando os cenários de primeiro e segundo turno, a incerteza inerente ao processo eleitoral deve adicionar volatilidade ao mercado ao longo do ano, com investidores atentos a sinais de compromisso com a responsabilidade fiscal.

Ao longo da semana, o Ibovespa alternou sessões de cautela e fortes altas, renovando sucessivos recordes. O avanço foi sustentado principalmente pelo desempenho das ações de commodities, pela continuidade do fluxo estrangeiro e pelo alívio pontual das tensões geopolíticas no exterior. Estrategistas de grandes bancos, como JPMorgan, Bank of America e Morgan Stanley, projetam que o Ibovespa pode alcançar patamares entre 180 mil e 200 mil pontos até o fim do ano. Mesmo com dados robustos da economia americana, o mercado avalia que a realocação global de recursos deve seguir favorecendo a Bolsa brasileira no curto prazo, mantendo o viés positivo para o índice no início de 2026.

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