Ibovespa oscila com Fed no radar e emprego forte no Brasil

Fonte: Shutterstock/Vintage Tone

O Ibovespa iniciou a sexta-feira (30) oscilando com leve queda de 0,09%, aos 182.966 pontos, refletindo um ambiente de cautela que combina fatores externos e domésticos. O movimento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. Embora o nome já fosse ventilado pelo mercado e parte do impacto estivesse precificado, a confirmação encerra meses de especulação e reacende o debate sobre a independência do banco central americano e os rumos da política monetária global. Warsh integrou o Fed durante a crise financeira de 2008 e, nos últimos anos, passou a defender juros mais baixos combinados com redução do balanço da instituição, uma postura que mistura estímulo no curto prazo com disciplina estrutural no longo prazo. A nomeação ainda depende de aprovação no Senado, mas já influencia as expectativas sobre liquidez internacional e o comportamento dos ativos de risco.

No exterior, os futuros das bolsas americanas operaram em leve baixa, em meio à leitura de que mudanças no comando do Fed podem gerar volatilidade adicional nas taxas de juros e no dólar. Para economias emergentes como o Brasil, esse cenário tende a provocar oscilações de curto prazo, principalmente via câmbio e fluxo de capital estrangeiro. Ainda assim, parte dos analistas avalia que a escolha reduz riscos políticos mais extremos e pode contribuir para um ajuste mais previsível das curvas de juros no horizonte mais longo.

No cenário doméstico, o foco dos investidores também se voltou para o mercado de trabalho. A taxa de desocupação caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica e em linha com as projeções. O resultado reforça a percepção de uma economia resiliente e com consumo ainda sustentado, mas também amplia a atenção do Banco Central em relação à inflação. Um mercado de trabalho aquecido pode pressionar salários e preços, o que tende a limitar a velocidade de cortes na Selic. Dessa forma, os dados de emprego funcionam como termômetro simultâneo da atividade econômica e das expectativas para a política monetária nos próximos meses.

No campo corporativo, o noticiário ajudou a compor o humor misto da Bolsa. A Vale (VALE3) recua 1,84% após revisões de projeções por bancos internacionais e também por questões operacionais envolvendo minas em Minas Gerais, embora o impacto estimado na produção seja limitado. O setor de siderurgia apresentou queda em bloco, com CSN Mineração (CMIN3; -2,61%), CSN (CSNA3; -2,57%) e Usiminas (USIM5; -2,11%), influenciado tanto pelas oscilações do minério de ferro quanto por expectativas de medidas de defesa comercial que podem favorecer produtores locais no médio prazo. Já empresas ligadas ao consumo e serviços mostraram desempenho mais seletivo, refletindo o equilíbrio entre crescimento econômico e custo de capital ainda elevado.


Por volta das 10h48, as listas das maiores altas e baixas eram dominadas por:


Altas

• Magalu (MGLU3): +2,57%

• Copasa (CSMG3): +2,16%

• C&A Modas (CEAB3): +1,83%


Baixas

• CSN Mineração (CMIN3): -2,61%

• CSN (CSNA3): -2,57%

• Usiminas (USIM5): -2,11%


Confira a evolução do Ibovespa:

*Até o dia 30/01 às 10h48

• Segunda-Feira (26): -0,08%

• Terça-Feira (27): +1,79%

• Quarta-Feira (28): +1,52%

• Quinta-Feira (29): -0,84%

• Sexta-Feira (30): -0,09%

• Na semana*: +2,30%

• Em janeiro*: +13,56%

• No 1°tri./26*: +13,56%

• Em 12 meses*: +44,17%

• Em 2026*: +13,56%


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