Expectativas do mercado para 2026: inflação, juros, crescimento, câmbio e Bolsa

Fonte: Shutterstock/My Portfolio

O ano de 2026 se desenha como um período de ajuste e transição para a economia brasileira. Após um ciclo prolongado de juros elevados e um desempenho expressivo dos ativos financeiros em 2025, o mercado inicia o novo ano com expectativas mais equilibradas, embora inseridas em um ambiente de maior volatilidade, especialmente em função do cenário eleitoral.

Inflação: desaceleração lenta, ainda acima da meta

As projeções do mercado consolidadas no Boletim Focus indicam desaceleração gradual da inflação nos próximos anos. Após encerrar 2025 em 4,26%, segundo o IPCA de dezembro, a expectativa é de que a inflação recue para 4,06% ao fim de 2026. Apesar da melhora, a inflação segue acima do centro da meta de 3,0%, embora dentro do intervalo de tolerância, cujo teto é de 4,5%.

A inflação de serviços segue como o principal ponto de atenção, sustentada por um mercado de trabalho aquecido e pela inércia inflacionária. Após meses consecutivos de revisão para baixo, as expectativas passaram a mostrar maior estabilidade.

Selic: cortes graduais, política ainda restritiva

A taxa Selic encerrou 2025 em 15,00% ao ano, o patamar mais elevado em quase duas décadas. Para 2026, as projeções do mercado, segundo a mediana do Boletim Focus, indicam recuo para 12,25% ao final do ano, o que representa uma redução acumulada de 2,75 pontos percentuais.

O consenso aponta para o início dos cortes ao longo do primeiro trimestre, mas de forma gradual e cautelosa, diante dos riscos fiscais e da inflação de serviços persistente. Mesmo com a flexibilização esperada, a política monetária deve permanecer restritiva ao longo de todo o ano, limitando estímulos mais fortes à atividade econômica.

PIB: crescimento moderado e perda de fôlego

Para a atividade econômica, as projeções do mercado indicam desaceleração do crescimento em 2026. Segundo o Boletim Focus, o PIB deve avançar 1,80%, abaixo da estimativa de 2,26% para o encerramento de 2025, o que representa uma redução de 0,46 ponto percentual na comparação anual.

O efeito defasado dos juros elevados tende a frear setores cíclicos, como indústria, comércio e construção, enquanto o agronegócio e a indústria extrativa seguem como vetores de sustentação. Estímulos fiscais e medidas de crédito podem suavizar a desaceleração, mas não devem ser suficientes para impulsionar um crescimento mais robusto.

Câmbio (dólar PTAX): patamar estável, com alta volatilidade

No mercado de câmbio, a expectativa predominante é de estabilidade do dólar Ptax em 2026. Após encerrar 2025 em R$ 5,5024, o consenso do mercado aponta para uma cotação próxima de R$ 5,5000 ao final de 2026, o que representa uma variação marginal negativa de 0,04% no período. Esse movimento contrasta com a queda expressiva de 11,14% registrada em 2025, sugerindo um cenário de acomodação da taxa de câmbio.

O real tende a se beneficiar de um dólar globalmente mais fraco e do diferencial de juros ainda elevado, mas a volatilidade deve aumentar significativamente ao longo do ano, em função das eleições presidenciais, do quadro fiscal, à condução da política monetária nos Estados Unidos e aos riscos geopolíticos no cenário internacional.

Ibovespa em 2026: espaço para alta, mas com riscos no radar


Após encerrar 2025 com uma valorização expressiva de 33,95%, atingindo a marca histórica de 161.125 pontos, o Ibovespa entra em 2026 sob uma ótica moderadamente positiva. O consenso de mercado, baseado nas principais casas de análise, projeta que o índice alcance os 193.200 pontos até o fim do período, o que representaria uma nova alta de 19,91%, sustentado por valuations ainda descontados e pela expectativa de queda gradual da Selic.

A continuidade desse movimento, no entanto, dependerá da redução dos juros reais de longo prazo, fator diretamente ligado à credibilidade da política fiscal e à condução do debate eleitoral. Além disso, a Bolsa brasileira segue altamente dependente do fluxo de capital estrangeiro, que tende a responder de forma sensível tanto à evolução do cenário doméstico quanto às condições financeiras globais.

Nesse contexto, riscos geopolíticos ganham relevância como vetor adicional de volatilidade, podendo afetar o apetite por risco e os fluxos para mercados emergentes. Tensões internacionais, conflitos em curso e mudanças na dinâmica política global podem influenciar o comportamento dos investidores ao longo do ano, tornando o desempenho do Ibovespa mais condicionado ao ambiente externo.

Em resumo, 2026 deve ser marcado por crescimento mais contido, inflação em desaceleração gradual, juros ainda elevados, mas em trajetória de queda, câmbio estável com oscilações relevantes e uma Bolsa com potencial de valorização, embora mais sensível a riscos fiscais, geopolíticos e as eleições presidenciais de 2026. O ambiente exige cautela, seletividade e estratégia, com atenção redobrada à evolução da política econômica e do calendário eleitoral.

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