Mills (MILS3) ainda tem espaço para crescer – e locação é um dos caminhos -, diz CEO

Em 2021, a empresa registrou lucro de R$ 102,3 milhões, contra prejuízo de R$ 4,7 milhões no ano anterior

Foto: Mills RI

Recentemente, a Mills (MILS3) mudou de cara. Procurando diversificar suas atividades e deixar para trás o prejuízo acumulado entre 2015 e 2020, a empresa de locação de plataformas elevatórias e construções de alta complexidade repaginou seu negócio – e os efeitos já são positivos.

No quarto trimestre do ano passado, o lucro líquido da empresa mais que quintuplicou, atingindo R$ 43,6 milhões ante R$ 7,6 milhões no quarto trimestre de 2020. Na mesma comparação, a receita líquida da Mills saltou 47,9%, para R$ 219,2 milhões.

No consolidado de 2021, a empresa registrou lucro de R$ 102,3 milhões, ante prejuízo de R$ 4,7 milhões no ano anterior. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mostra uma aproximação da geração de caixa da empresa, está mais saudável do que nunca, com uma boa margem de 39,5%. 

Como resultado do aumento da demanda, o volume locado de plataforma elevatória segue em crescimento, após ter fechado o ano com 66,7% de taxa de utilização. 

A empresa tem colhido os frutos de transformar o negócio, por mais que o cenário continue desafiador, e os investidores agradecem: o ROIC (Retorno sobre Capital Investido) dos últimos 12 meses é de sólidos 15,1%. Em 2020, ele foi de apenas 1,2%. 

Menos dívida, mais crescimento

Uma das mudanças ocorridas na Mills foi a redução da chamada alavancagem – a proporção da dívida em relação aos resultados gerados pela companhia.

Essa disciplina em relação ao endividamento abriu espaço para que a companhia se expandisse, mesmo diante de um período turbulento no início da pandemia de Covid-19, segundo Sergio Kariya, executivo-chefe da Mills.

Ele ressalta que a empresa agora consegue explorar melhor algumas estratégias de crescimento – inclusive aumentando o endividamento de novo, mas sem tantos riscos como no passado, e fazendo aquisições. Só no ano passado a Mills comprou três outras empresas.

“Se você compara os trimestres, você já vê uma expansão na base de clientes”, diz Karyia.

Mills ainda tem caminho a trilhar

Segundo a Mills, o mercado de plataformas elevatórias ainda é pouco explorado no Brasil. 

O país tem apenas 15 máquinas a cada 100 mil habitantes, com base em números de 2020, enquanto os Estados Unidos possuem 200. O Chile, par comparável na América do Sul, possui 49 plataformas a cada 100 mil habitantes.

“É um equipamento que tem um déficit quando se olha essa relação máquina versus população”, diz Karyia, acrescentando que um dos caminhos que a empresa pretende explorar mais é o da locação de equipamentos.

“Os brasileiros têm conceito de deter equipamento. A relação no país é de que, para cada 100 produtos, 20 estão em locadoras e 80 com o usuário final”, afirma o executivo, ressaltando que em países desenvolvidos mais da metade dos equipamentos estão nas mãos de locadores. No Japão, o índice é de 88%.  “A gente acredita nessa penetração do conceito de locação”, diz Karyia.

Atualmente, a Mills opera com Rental (aluguel e venda de plataformas aéreas, elevadores pessoais etc) e Construção (aluguel e venda de formas e escoramentos para obras de infraestrutura, fornecendo soluções de engenharia), com variados clientes. 

Outro motor para o crescimento é a expectativa de expansão dos investimentos em infraestrutura no Brasil, em particular por causa do aumento nas concessões neste setor, que está recebendo mais recursos privados do que públicos nos últimos anos.

Dólar fraco é bom para a Mills

Karyia também comentou que a desvalorização do dólar neste ano é um fator positivo para os resultados da Mills. Como a empresa importa os equipamentos que aluga do exterior, o movimento de queda na taxa de câmbio melhora a rentabilidade deste ramo do negócio.

“Quando a gente importa plataforma elevatória, olha a rental rate, que é o preço de locação dividido pelo custo de aquisição. O câmbio reduz o denominador: tenho melhora do rental rate sem ter que melhorar o preço nominalmente. Precisa de menos reais para trazer geração de receita”, diz.

A Mills, no entanto, está sendo afetada pelos problemas na cadeia global de suprimentos, e precisou rever os planos de importação de equipamentos deste ano após um de seus fornecedores adiar a entrega de cerca de 400 equipamentos à companhia de 2022 para 2023.

Além de negociar com outros fabricantes para tentar compensar a ausência destas máquinas, a companhia também decidiu segurar a venda de seminovos para conseguir atender a demanda crescente vinda dos clientes. “A gente não enxerga quase nenhum impacto no resultado de 2022”, diz Karyia.

Desde o começo do ano, as ações da empresa acumulam valorização de 20%, reflexo das melhorias contínuas na empresa, que a colocaram como uma das small caps de maior potencial da Bolsa brasileira. 

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