Ações da PetroRio (PRIO3) dobram de preço em um ano; quais fatores levam à alta?

Além de se beneficiar com valorização do petróleo tipo Brent, companhia se destaca por custo baixo de extração, dizem analistas

PetroRio - foto divulgação

Foto: PetroRio/Divulgação

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Não é de hoje que os papéis da PetroRio (PRIO3) chamam a atenção dos investidores. Afinal de contas, eles acumulam ganhos de 116% nos últimos 12 meses na B3 e, entre janeiro e novembro de 2021, subiram mais de 50%, dividindo o pódio com Embraer (EMBR3), Braskem (BRKM5) e Méliuz (CASH3).

Um dos fatores que tem levado o ativo a ter esse avanço expressivo na bolsa é a valorização de 70% do petróleo tipo Brent, usado como referência internacional de preço da commodity, desde o final do ano passado, para mais de US$ 80 o barril.

No auge dos receios com a pandemia de Covid-19, entre março e abril de 2020, o preço do petróleo chegou operar ao redor de US$ 20 – menor nível desde 2002. O mercado avaliou que as restrições à circulação de pessoas na época reduziriam abruptamente a demanda pela commodity e seus derivados – como gasolina e diesel.

A demanda global por petróleo ainda não voltou aos patamares pré-crise, mas está se recuperando mais rápido que a produção há alguns meses, o que explica por que o valor do barril praticamente dobrou em relação ao mês de novembro do ano passado.

Em julho deste ano, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou um aumento gradativo de 400 mil barris por dia na produção. A expectativa do mercado é de que o descasamento entre demanda e oferta deixe de existir em meados do primeiro semestre de 2022.

Baixo custo de extração

Mas não é só surfando a onda do preço do petróleo que a PetroRio tem se destacado no mercado. Para a Warren Brasil, a empresa é a petroleira mais eficiente da América Latina – deixando de lado até mesmo a gigante Petrobras (PETR4).

A plataforma de investimentos pontua que, desde 2015, a petrolífera vem adquirindo campos maduros em alta velocidade e, consequentemente, elevando sua produção. Tudo isso “sem perder a eficiência”.

“Atualmente, o custo de extração de petróleo da PetroRio está em torno de US$ 12 por barril, o que torna a empresa uma verdadeira máquina de gerar caixa, resiliente a praticamente qualquer cenário de preços de petróleo”, destaca Frederico Nobre, analista de investimentos da Warren.

Este número é bem menor em comparação à cifra registrada no primeiro trimestre de 2018, por exemplo, quando o custo de extração (ou lifting cost, em inglês) da PetroRio chegou a superar US$ 44 por barril, como mostra o gráfico a seguir.

Custo de extracao PRIO3
Fonte: PetroRio | Elaboração: TradeMap

O analista da Warren ressalta que, assim como qualquer empresa que atua no segmento de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural, como no caso da PetroRio, dois fatores podem estar diretamente relacionados ao desempenho das ações na bolsa: o primeiro é a própria produção de óleo (custo e volume), enquanto o segundo, o preço do petróleo no mercado internacional, que é usado como referência na venda de barris.

“A PetroRio pode controlar o quanto produz e seu respectivo custo. Então ela usa essas variáveis a seu favor, já que não pode controlar o preço da commodity“, diz.

É fato que o movimento do petróleo beneficiou o setor como um todo, mas a petroleira possui alguns diferenciais competitivos em relação às outras companhias, como o lifting cost. “A PetroRio é a empresa que possui o menor custo de extração da América Latina”, ressalta Nobre. “Ela mostra muita eficiência nessa parte de exploração de petróleo e consegue produzir a custos muito baixos, fazendo com o que o ativo tenha se destacado perante a outras petroleiras”.

Rentabilidade das ações nos últimos cinco anos

PRIO3 x PETR4 x ENAT3
Fonte: TradeMap

De olho nos campos…

O mercado acaba não só premiando isso, mas também a questão do crescimento da companhia como um todo. Trimestre após trimestre, a PetroRio apresenta volumes maiores no mercado e, ao mesmo tempo, tem um processo de crescimento inorgânico bem agressivo ao adquirir campos maduros.

Aliás, essa é a estratégia da PetroRio: a compra desses tipos de campos – que são aqueles que já possuem mais de 25 anos ou que apresentam produção acumulada em torno de 70% do volume total que poderiam atingir em sua vida útil – e, logo em seguida, inicia o processo de revitalização, que procura aumentar a produção e extrair petróleo a um custo mais econômico do que as concorrentes.

Outro ponto muito positivo para a petroleira foi a conclusão do processo de tieback (cluster formado pelos campos de Polvo e Tubarão Martelo), em julho de 2021, que nada mais é do que a integração entre dois campos próximos, com a vantagem de compartilhar a mesma infraestrutura para extrair óleo.

Com a operação, a PetroRio consegue utilizar só um FPSO (floating production storage and offloading, em inglês), plataforma que armazena o óleo e funciona para transferir o barril para o navio tanqueiro, para dois campos produtores diferentes, o que reduz seus custos para cerca de US$ 50 milhões em um ano. Ela foi a primeira empresa a criar um tieback na Bacia de Campos (RJ).

Em novembro de 2020, a companhia deu o primeiro passo em direção ao pré-sal ao comprar 35,7% do campo de Wahoo da British Petroleum (BP), por US$ 100 milhões. Hoje, ela possui cerca de 64,3% de participação no campo, após adquirir a fatia de 28,6% da francesa Total Energies. A produção está prevista para iniciar em 2024, após o aval da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, o mercado tem gerado certa expectativa em cima de Wahoo, uma vez que a previsão é de que o campo produza de 40 a 45 mil barris por dia.

“O modelo de negócio da PetroRio, até o anúncio da compra de Wahoo, era bem resiliente e simples. Ela pegava campos maduros com poços já trabalhados e aumentava a vida útil deles e gerava valor dessa forma. Quando ela anuncia a compra de Wahoo, ela muda esse panorama. Deixa a previsibilidade de lado e passa a mirar em outro tipo de crescimento, que é o pré-sal e que tem outro potencial: necessita de um capex maior e possui uma expertise diferente”, avalia.

Mais recentemente, outros dois campos chamaram a atenção do mercado: Albacora e Albacora Leste, que são da Petrobras. A estatal, porém, deu sinais de que vai vendê-los ao consórcio formado pela PetroRio e Cobra, subsidiária francesa da Vinci.

Em 2020, o campo de Albacora produziu, em média, 23,1 mil barris de óleo por dia e 408,5 mil metros cúbicos por dia de gás. O campo de Albacora Leste, por sua vez, registrou a produção média de 30,9 mil barris de óleo por dia e 598 mil metros cúbicos de gás por dia.

“A PetroRio tem uma produção média diária [boepd] de 30 mil. Com o incremento dos dois campos, é estimado uma produção média diária de 50 mil a 60 mil, o que daria outra dimensão para a companhia em termos de volume”, estima Rafael Rovai, analista da Inside.

Recentemente, a Petrobras anunciou a venda do campo de Catuá (pré-sal), que fica muito próximo de outros campos da PetroRio. Por isso, os analistas acreditam que ela deve mostrar interesse em adquiri-lo.

Perspectivas

Nobre, da Warren Brasil, mostra otimismo com os papéis PRIO3. Ele acredita que há mais espaço para a petroleira crescer na B3, já que é uma empresa que está sendo negociada em patamares atrativos, com cerca de oito vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em português).

Para ele, a PetroRio apresenta um prêmio frente às concorrentes, “e isso é totalmente justificável pelo projeto de crescimento da companhia”. Segundo o analista, é uma empresa que daqui três ou quatro anos pode triplicar sua produção de petróleo.

“Ela promete entregar a eficiência que já apresentou há alguns anos. A companhia pode ser negociada, no futuro, a três ou duas vezes e meia o Ebitda, ou seja, um case de growth“, comenta Nobre.

Por conta disso, a Warren recomenda compra dos papéis, com preço-alvo a R$ 38,27 para dezembro de 2022, o que representa um potencial de valorização de 73% com base no fechamento de 25 de novembro, de R$ 22,08.

Na mesma linha, Rovai, da Inside, também faz recomendação de compra das ações da PetroRio, com preço-alvo a R$ 32 para o fim do ano que vem. Ele enxerga com bons olhos a boa expectativa para o preço do Brent e a sequência positiva de evolução nas métricas operacionais da empresa.

A Ativa Investimentos também recomenda compra dos papéis PRIO3, mas o preço-alvo ainda passa por revisão para os próximos 12 meses.

Consenso daRefinitiv  

 

COMPRAR 

MANTER 

VENDER 

Preço-alvo 
mediana 

Preço-alvo 
máximo 

PRIO3 

7

– 

– 

R$ 25

R$ 47

Fonte:Refinitiv(em26 de novembro de 2021) 

Acompanhe a cotação em tempo real dos ativos PRIO3 pelo TradeMap

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