Aqui está, saindo quentinha do forno, mais uma edição da TradeLetter, a mais divertida newsletter de notícias do mercado financeiro.
Nesta edição, vamos olhar em retrospecto para tudo que de mais interessante aconteceu na última semana. Bora lá?
E os troféus de maiores altas e maiores baixas do ano vão para…

🥇 BRFS3 = +65,31%
🥈 EMBR3 = +59,98%
🥉 MRFG3 = +27,11%

👎 AZUL4 = -48,66%
👎👎 YDUQ3 = -46,83%
👎👎👎 COGN3 = -46,42%
Principais índices

IBOV = -5,90%
IDIV = -1,96%
IFIX = +0,91%
Dow Jones = +4,47%
S&P-500 = +16,72%
Nasdaq = +22,26%
Dólar Ptax = +13,54%
*Dados do ano até o fechamento de 05/07/2024.
Agora, sem mais delongas, vamos ao que interessa!

Briga! Briga! Briga…

Lembra quando no recreio duas crianças se estranhavam e imediatamente surgia à volta deles uma multidão de sanguinários querendo ver o pau quebrar? Bom, de certa forma é assim que me sinto no momento.
Noticiei duas edições atrás que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva soltou o verbo após a decisão do Copom de interromper o ciclo de queda da taxa Selic. A decisão que, segundo ele, era equivocada, “beneficiava especuladores em detrimento do povo brasileiro”. Lula, como de praxe, ainda aproveitou a ocasião para dar aquela cutucada no presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Recentemente, porém, foi a vez de Campos Neto. Aproveitando a deixa, o presidente do BC disse que as críticas de Lula mais atrapalham do que ajudam o Banco Central, e que é praticamente constatável que as oscilações nos principais ativos financeiros ocorrem sempre após falas de Lula, o que força o BC a calibrar a taxa Selic em um patamar mais alto.
Em sua fala, Campos Neto afirmou:
“O que se mostrou no passado recente – e não é opinião minha, é constatação – é que, se a gente olha os movimentos de mercado em tempo real com os pronunciamentos, o que se mostrou é que você teve piora em algumas variáveis macroeconômicas, em alguns preços de mercado. Então, é óbvio que, quando você aumenta o prêmio de risco, ele obviamente faz com que o trabalho fique mais difícil ao longo do tempo.”
Campos Neto finalizou suas declarações afirmando que o presidente tem todo o direito de se manifestar, mas todos nós sabemos que, no fundo, no fundo, ele queria mandar um “cala a boca e me deixa trabalhar!”

E a treta continua…

Dizem que “o castigo vem a cavalo”, mas as respostas de Lula vêm sempre, de alguma forma, mais rápido. Quando se trata dos desafetos com Campos Neto então…
Dessa vez, na segunda-feira (1), Lula aproveitou para ressaltar que o próximo presidente do BC olhará para o Brasil da forma que ele realmente é, e não do jeito que o mercado financeiro fala.
Nas palavras dele, para que ninguém diga que estou distorcendo a sua declaração:
“Eu tenho que, com muita paciência, esperar a hora de indicar o outro candidato, e ver se a gente consegue… ter um presidente do Banco Central que olhe o país do jeito que ele é, e não do jeito que o sistema financeiro fala”.
Para quem está por fora, Campos Neto fica no seu cargo somente até dezembro deste ano. E o presidente indicado é apontado pelo presidente da República.
Lula afirmou ainda que o país não precisa de juros altos neste momento e que não dá para o presidente do BC — “esse cidadão”, em suas palavras — ser mais importante que o presidente. Quando ressentimento, Sr. Presidente!

Embora visivelmente consternado com o fato de estar lidando há quase dois anos com o presidente do BC indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula ressaltou que entende que a autonomia do Banco Central foi aprovada no Congresso e que permanecerá sendo respeitada.
O presidente afirmou ainda que preza pela responsabilidade fiscal e que inflação baixa é sua “obsessão”, usando como exemplo a decisão do governo de manter a meta para a evolução dos preços em 3%.
No fundo, no fundo, creio que o presidente vá ficar bem triste com o fim do mandato de Campos Neto. Com que ele vai brigar, não é mesmo?

Não mexa com meus dividendos

O mercado ganhou no grito.
É isso aí. Cogitaram a possibilidade de tributar os dividendos de FIIs e Fiagros, mas o mercado fez cara feia e a politicada tremeu na base. Por fim, voltou atrás.
As negociações demoraram, mas no fim chegou-se ao consenso de que FIIs de papel e Fiagros deverão permanecer sem taxação. Dessa forma, esses segmentos de fundos não terão sua receita passível de tributação pelos dois novos tributos, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS).
Muito sensato, Luiz Gastão (PSD-CE) afirmou que “se fôssemos taxar fundos, poderíamos tirar investimentos do país”. É como 2+2=4; porém há sempre quem não entenda. Por sorte, ainda temos alguns políticos alfabetizados.
Ainda no projeto de lei que regulamenta a reforma tributária, FIIs de tijolos que investem nos próprios empreendimentos terão a opção de se tornarem contribuintes e, com isso, receberem crédito tributário para o abatimento de outros impostos.
A estapafúrdia possibilidade de taxação aos FIIs e Fiagros vinha circulando nos últimos dias como uma ideia do Executivo para ampliar a arrecadação.
Felizmente, ontem (4) esse burburinho foi silenciado. Meus dividendos podem descansar em paz…
O país tá encolhendo

Nos últimos dias o dólar subiu descomunalmente.
Na máxima da semana, na terça-feira (2), a divisa chegou a ser negociada a R$ 5,70, chegando a subir quase 0,80% no pregão. Afinal, cedeu à pressão e fechou cotada a R$ 5,665.
Apesar do breve susto, há um fenômeno mais sorrateiro que vem acontecendo fora dos holofotes: o valor de mercado das empresas do Ibovespa em dólar vem caindo.
É isso mesmo: à medida que o dólar sobe, o Brasil encolhe…
Somente neste ano o índice Ibovespa já encolheu 14,11%. Observando o consolidado, o valor de mercado do índice já caiu de US$ 772 bilhões para US$ 663 bilhões. Há cinco anos atrás, esse valor era de US$ 825 bilhões.
Outro interessante dado que ilustra esse encolhimento é o peso do Brasil no índice MSCI Emerging Markets, índice referência para o desempenho das bolsas de países emergentes. Enquanto no fim de 2023 a participação do Brasil no índice era de 5,8%, agora contamos com uma tímida participação de 4,2%. Ah! Vale lembrar que essa participação era 7,4% há anos.
Não tem jeito; estamos encolhendo mesmo…
BetEconomics

Adoro ver políticos se engalfinhando. Já falei isso.
A bola da vez são os debates presidenciais americanos. Em meio às caras e bocas de Donald Trump e os lapsos — é… o que eu ia dizer mesmo… acho que algo sobre… não… ah, sim! — de Joe Biden, o mercado começa a se posicionar para o que está por vir.

Levando em consideração que Donald Trump se saiu (bem) melhor no primeiro debate, os investidores começaram a comprar notas com vencimento mais curto e vender notas de prazo mais longo. Os gringos estão apostando numa inclinação mais acentuada da curva de juros.
Também conhecida como “steepener trade”, essa estratégia consiste no uso de derivativos para se beneficiar de diferenças crescentes de rendimento que ocorrem como resultado de aumentos na curva de rendimentos entre dois títulos com vencimentos diferentes.
A estratégia tem sido elogiada por um coro crescente de estrategistas de Wall Street nos últimos dias, com o Morgan Stanley e o Barclays recomendando aos clientes que se prepararem para uma inflação mais persistente e taxas mais elevados sobre os títulos de longo prazo em outro governo de Trump.
A conversa que rola ainda a boca miúda é que, embora seja muito cedo para cravar o resultado eleitoral, não é cedo para apostar. O mercado, por ora, vê maiores probabilidades na vitória de Trump.

Hora de dar tchau!

Por hoje é só, galerinha.
Vejo você na próxima sexta!
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