Divulgação de balanços, tensão comercial e investigações: o que movimentou o Ibovespa em agosto

Fonte: Shutterstock/Vintage Tone

Agosto foi um mês de intensa movimentação nos mercados, impulsionado pela divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025. Os balanços trouxeram à tona uma economia ainda dividida: enquanto alguns setores mostraram sinais claros de recuperação, outros enfrentaram pressões de margem, revisões negativas e alertas operacionais. O cenário macroeconômico local seguiu fragilizado, com o IBC-Br recuando 0,10% em junho, frustrando projeções, e o IPCA-15 de agosto registrando deflação de 0,14%, reforçando a percepção de desaceleração econômica.

Em meio a esse ambiente, o pacote “Brasil Soberano”, anunciado como resposta ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, dominou o noticiário. Com impacto direto sobre setores como carnes, aço e etanol, a medida americana levou o governo brasileiro a reagir com articulações diplomáticas junto à China e ao Canadá, além de reuniões em Washington. O presidente Lula classificou a medida como um ataque à soberania, enquanto o governo Trump a vinculou à situação política de Jair Bolsonaro no Brasil.

Nos Estados Unidos, os dados econômicos mostraram resiliência. O PIB cresceu 3,0% no segundo trimestre, impulsionado pelo consumo interno, enquanto a inflação anual medida pelo CPI-U permaneceu em 2,7%. Mesmo assim, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, alertou sobre o impacto inflacionário das tarifas comerciais e sinalizou a possibilidade de cortes de juros. A tensão institucional aumentou após Donald Trump demitir a diretora do Fed, Lisa Cook, ampliando o embate entre o governo e o banco central.

Além disso, a Faria Lima passou a ser alvo de investigação por suposto uso de informação privilegiada e conflitos de interesse em decisões de mercado. O episódio reacendeu discussões sobre governança e transparência na principal avenida financeira do país, elevando a cautela dos investidores.

Com o fim da temporada de balanços e em meio a um ambiente externo turbulento, o Ibovespa encerrou agosto em forte alta de 6,55%, aos 141.422 pontos, registrando o maior fechamento de sua história. Durante o mês, o índice também renovou sua máxima intraday, alcançando 142.378 pontos. O resultado, apesar da pressão de setores como combustíveis e logística, foi sustentado pelo desempenho positivo de papéis de varejo, construção e saúde, que ajudaram a manter o índice em trajetória de valorização.


Entre as principais altas do mês, se destacaram:

RaiaDrogasil (RADL3): (+30,29%)

A RaiaDrogasil encerrou agosto entre os destaques positivos do Ibovespa, com valorização de aproximadamente 30% no mês. O impulso veio após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que apontou lucro (prejuízo) consolidado de R$ 382,95 milhões, crescimento de 14,50% frente ao mesmo período do ano anterior. Os números sólidos reforçaram a confiança do mercado na estratégia da companhia no setor de varejo farmacêutico.

 

MRV Engenharia (MRVE3): (+27,56%)

As ações da MRV registraram alta expressiva em agosto, sustentadas por uma leitura otimista do seu desempenho operacional no Brasil. Apesar do prejuízo consolidado causado pela subsidiária norte-americana Resia, os dados do 2T25 indicaram forte aceleração nas vendas locais, impulsionadas especialmente pelo programa habitacional Minha Casa Minha Vida, o que animou analistas e investidores.

 

Hapvida (HAPV3): (+26,13%)

Mesmo com uma queda de quase no lucro (prejuízo) líquido no segundo trimestre, a Hapvida viu suas ações se recuperarem de forma significativa. O movimento foi interpretado como uma resposta positiva do mercado a ajustes operacionais e sinais de estabilização da companhia, que vem buscando maior eficiência em meio à integração de ativos adquiridos.


Na outra ponta, o mês foi de perdas para companhias de diversos setores, com foco em petroleiras.


Entre os destaques negativos ficaram:

Raízen (RAIZ4): (-17,61%)

As ações da companhia renovaram mínimas históricas em agosto, pressionadas por um resultado trimestral abaixo das expectativas e um índice de alavancagem considerado preocupante. A possível entrada de um novo sócio estratégico foi mal digerida pelos investidores, que interpretaram o movimento como um reflexo da fragilidade financeira da empresa. Apesar de uma leve recuperação nos últimos pregões, os papéis terminaram o mês sob pressão.

 

Rumo (RAIL3): (-12,03%)

O mercado reagiu com força negativa à divulgação dos resultados do segundo trimestre. As ações caíram mais de 12%, refletindo o impacto de uma provisão contábil relacionada à malha Sul, que comprometeu o lucro líquido. Apesar do crescimento nos volumes transportados, a performance operacional ficou aquém do esperado, levando casas de análise a revisar para baixo as projeções da companhia.

 

PetroRio (PRIO3): (-10,24%)

A suspensão das atividades no campo de Peregrino, determinada pela ANP após identificar falhas nos sistemas de segurança, derrubou as ações da petroleira. O impacto estimado da paralisação, que pode chegar a US$ 30 milhões por semana, reforçou a aversão ao risco em torno do papel, que acumulou queda superior a 10% no mês, mesmo em um ambiente de preços de petróleo relativamente estáveis.

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