Sofia Abreu Colunista TradeMap2

Por Sofia Abreu

Colunista de renda fixa da Agência TradeMap

Graduada em Direito e servidora pública desde 2012, já atuou como bancária do Banco do Brasil e atualmente é servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. Publica conteúdo financeiro em seu canal do Youtube – Servidor que Investe – e em seu instagram.

Veja motivos para você abandonar definitivamente a poupança

Porquinho da poupança rosa ao lado de um estetóscopio

Foto: Shutterstock

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Um dos principais motivos que leva boa parte das pessoas a colocar dinheiro na poupança são os baixos riscos que esse tipo de aplicação proporciona. Mas ter recursos nessa modalidade de investimento em épocas de inflação elevada, a exemplo da atual, faz com que você perca dinheiro.

Quero lhe mostrar que a simples troca do tipo de investimento, ou seja, para alternativas também seguras, pode aumentar a sua rentabilidade entregue pela poupança.

Afinal de contas, quanto rende a poupança?

Existem duas regras distintas de rentabilidade para a poupança, a depender de quando o depósito nesse tipo de aplicação foi realizado.

Para valores depositados antes de 4 de maio de 2012, a poupança rende uma taxa fixa de 0,5% ao mês acrescida da TR (taxa referencial, atualmente próxima de zero).

Para os depósitos realizados depois de 4 de maio de 2012, existem dois cenários de rentabilidade. Quando a taxa básica de juros é igual ou inferior a 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança equivale a 70% da Selic mais TR. Já quando o juro fica acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR. Isso equivale a 6,17% ao ano mais TR.

No momento em que redijo este artigo, no mês de maio, a Selic (a taxa básica de juro) vigente na nossa economia é de 12,75% ao ano. Isso quer dizer que, atualmente, tanto os aportes realizados na poupança antes de maio de 2012 quanto os realizados posteriormente a essa data estão rendendo 6,17% ao ano mais TR.

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no acumulado dos últimos 12 meses até abril foi de 12,13%. Em outras palavras, o nosso dinheiro se desvalorizou em média 12,13%, nesse intervalo, embora as aplicações feitas em poupança rendam aproximadamente 6,17% ao ano.

Com isso, você consegue perceber que os rendimentos gerados pela caderneta não são sequer capazes de repor as perdas geradas pela inflação ao longo dos últimos 12 meses?

Esse é exatamente o motivo pelo qual a poupança não vale a pena. Esse tipo de investimento não é capaz de proteger seu dinheiro da inflação, de forma que, com o passar do tempo, se levada em conta a variação dos preços, o poder de compra do seu dinheiro que está depositado na caderneta encolhe a cada dia que passa.

Dessa forma, ao investir em poupança, sobretudo em épocas de inflação elevada (como agora), você está vendo seu patrimônio diminuir ao invés de aumentar.

Mais rentável e mais seguro

Por outro lado, existem investimentos de renda fixa tão ou mais seguros que a poupança, o que é o caso dos títulos Tesouro Selic e os CDBs de liquidez diária.

O Tesouro Selic rende a Selic vigente no decorrer do período em que seu dinheiro ficar investido. E se hoje a taxa está em 12,75%, o Tesouro Selic terá uma rentabilidade muito próxima a essa.

Por sua vez, quando falamos de CDBs de liquidez diária, não é difícil encontrarmos opções de bancos com rentabilidades, por exemplo, de 100% do CDI.

O CDI é uma taxa que caminha muito próxima à Selic. Hoje, com a Selic em 12,75% ao ano, o CDI gira em torno de 12,65%.

Mesmo com IR

É verdade que há incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos do Tesouro Selic e dos CDBs. As alíquotas começam em 22,5% para investimentos aplicados por até 180 dias e vão à mínima de 15% os que permanecem aplicados por mais de 720 dias.

O fato é que esses tipos de investimentos de renda fixa possuem hoje uma rentabilidade que chega quase ao dobro da poupança. Eles são mais seguros até mesmo que essa modalidade, como é o caso do Tesouro Selic.

Isso porque os títulos do Tesouro Direto são emitidos e garantidos pelo governo federal por meio do Tesouro Nacional. E o único risco do governo não honrar com o pagamento seria se o país declarasse falência, o que é muito mais improvável acontecer do que a falência de qualquer instituição financeira, que garantem os investimentos em poupança.

Ou seja, se você é um investidor conservador, deixar seu dinheiro na poupança não é a solução, já que a essa modalidade não tem sequer reposto as perdas trazidas pela inflação. E, além disso,existem outros investimentos tecnicamente mais seguros, como é o caso do Tesouro Direto, e que rendem mais que a poupança.

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Por outro lado, ao fazer trocas inteligentes, como sair da poupança e migrar para o Tesouro Selic ou para um CDB de liquidez diária de um bom banco, você consegue rentabilidades muito superiores, que não implicam assumir riscos adicionais.

Dito tudo isso, se ainda investe na poupança (ou conhece alguém que o faça), certamente agora tem motivos mais que suficientes para abandonar de vez essa desvantajosa opção de investimento e escolher o que faz muito mais pelo seu patrimônio (por você).

*As opiniões, informações e eventuais recomendações que constem dos artigos publicados pela Agência TradeMap são de inteira responsabilidade de cada um dos articulistas. Os textos não refletem necessariamente as posições do TradeMap ou de seus controladores.

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