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Por Sofia Abreu

Colunista de renda fixa da Agência TradeMap

Graduada em Direito e servidora pública desde 2012, já atuou como bancária do Banco do Brasil e atualmente é servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. Publica conteúdo financeiro em seu canal do Youtube – Servidor que Investe – e em seu instagram.

Quem vence a disputa de rendimento: CDB, LCA ou LCI?

Imagem de uma peça de xadrez ao lado de pilhas de moedas com fundo alaranjado

Foto: Shutterstock

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Em tempos de taxa Selic elevada, as atenções de grande parte dos investidores se voltam para as opções de renda fixa mais tradicionais como CDBs (Certificado de Depósitos Bancários), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito Agrícola). E aí começam a pairar dúvidas sobre qual dessas opções gera a maior rentabilidade.

Qual investimento você deve escolher: um CDB que rende 14% ao ano de forma prefixada ou uma LCA ou LCI, com retorno, por exemplo, de 11% ao ano?

Numa rápida análise, a sua resposta pode ser a de que o CDB rende mais, portanto optaria por esse investimento. Mas, se você chegar a essa conclusão é porque desconsidera a incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, imposto do qual LCIs e LCAs são isentos.

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Por causa dessa diferença, a comparação entre a rentabilidade de CDBs, LCIs e LCAs não pode se dar de maneira simplista.

Os CDBs são sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda conforme uma alíquota regressiva, isso é, quanto mais tempo você deixa o seu dinheiro investido, menor é a alíquota. Essa tributação, que diminui conforme o tempo do investimento, se dá conforme a tabela abaixo.

Tabela simples, com duas colunas, uma com alíquotas do IR e a outra com tempo de investimentos

Então, um CDB que rende 14% ao ano pode, sobretudo nos meses iniciais da aplicação, render menos que uma LCI ou LCA que rende 11% ao ano e não se sujeita ao IR.

Para fazer uma conta simples e efetivamente compararmos qual investimento rende mais, vamos fazer uma comparação entre um CDB que rende 14% ao ano e tem vencimento em seis meses e uma LCI que rende 11% com o mesmo prazo de vencimento.

Esse CDB, que cito acima, está sujeito à alíquota de Imposto de Renda de 22,5%, conforme a tabela, já que vence em apenas seis meses. Em virtude disso, devemos descontar esses percentual de imposto da rentabilidade do investimento. O cálculo é feito desta maneira.

Rentabilidade x (1 – % do IR)

14% x (1 – 22,5%)

14% x 77,5% = 10,85% ao ano

Pois bem, 10,85% representa a rentabilidade líquida, já descontada do IR, que o investidor vai ter após o vencimento desse CDB transcorridos os seis meses.

Perceba que optar por um CDB de curto prazo como esse e com rentabilidade de 14% ao ano – se comparada à LCI ou LCA de mesmo prazo e com rentabilidade de 11% ao ano – é uma escolha, em termos de rentabilidade, menos vantajosa quando descontado o Imposto de Renda.

Agora, imaginemos que esse CDB que rende 14% ao ano não vence em seis meses, mas em três anos.

Vamos comparar a sua rentabilidade com o retorno de uma LCI ou LCA de 11% ao ano:

Rentabilidade  x (1 – % do IR)

14% x (1 – 15%)

14% x 85% = 11,9% ao ano

Consegue perceber que aquele mesmo CDB, com rentabilidade prefixada de 14% ao ano e vencimento em seis meses, possui uma rentabilidade anual de 10,85%?

Já quando o vencimento é mais longo, por consequência, há incidência de Imposto de Renda menor, passa a ser uma opção mais vantajosa que uma LCI ou LCA que rende 11% ao ano?

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Em virtude disso, é possível entender que CDBs com prazo de vencimento mais longo, e que pagam taxas de rentabilidade mais elevada tendem a render mais que LCIs e LCAs.

Por outro lado, no curto prazo, quando temos as maiores alíquotas de Imposto de Renda para os CDBs (22,5% e 20%), as LCIs e LCA geralmente passam a ser opções mais atrativas que os CDBs.

Pense nisso quando for avaliar onde fazer suas alocações em investimentos de renda fixa. Levar a alíquota de Imposto de Renda em conta é muito importante quando você for fazer escolhas entre CDBs ou LCIs e LCAs.

 

*As opiniões, informações e eventuais recomendações que constem dos artigos publicados pela Agência TradeMap são de inteira responsabilidade de cada um dos articulistas. Os textos não refletem necessariamente as posições do TradeMap ou de seus controladores.

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