O sonho de muita gente é alcançar o seu primeiro milhão e, para um investidor, este desejo é ainda maior. Mas afinal de contas será realmente possível sair de R$ 2 mil e chegar a R$ 1 milhão?
Você já pensou na quantidade de coisas que dá para fazer com R$ 1 milhão? Neste momento, pode ter passado por sua cabeça a possibilidade de comprar um iate, uma mansão, fazer viagens luxuosas ou arrematar aquele carro importado. Você deve ter pensado em várias formas de gastar o dinheiro, mas não na maneira de acumular essa grana toda. Veja então alguns princípios essenciais nessa jornada.
Só ganhar mais dinheiro não adianta
É exatamente isso que você leu. Ganhar mais dinheiro não adianta. Mas por que não? “Ganhando mais dinheiro vai sobrar mais para guardar”, você pode pensar. Aí é que você se engana, meu amigo (a). Você vai gastar ainda mais. E, para a sua surpresa (ou não tão surpresa assim), vai continuar não sobrando dinheiro algum. Afinal de contas, do que vai adiantar ter R$ 1 milhão e gastar R$ 900 mil?
E isso acontece por você não saber gastar bem o seu dinheiro e, na maioria dos meses, ou em todos eles, gasta mais do que ganha. O conhecido caso da pessoa que recebe R$ 1.700 e acredita que gasta mais do que ganha porque suas receitas são baixas. E que diz: “Se eu ganhasse R$ 3.800, até sobraria para investir”.
A culpa não é só sua, mas você também a divide com um dos pensamentos mais prejudiciais da atualidade: o IMEDIATISMO. Ele ocorre em algumas situações bem comuns, como aquela compra que poderia ter sido planejada e paga à vista e com desconto, mas é feita de forma parcelada. O desejo de ter algo agora nos cega para os custos disso no futuro, como juros mais altos, na maioria dos casos.
Olhando esse trecho, você deve ter refletido e encarado o parcelamento de uma forma natural. Isto é um traço cultural muito forte no brasileiro, o de não calcular os custos de parcelamento e muito menos em quais casos realmente vale a pena dividir uma compra.
A solução para se colocar em oposição à cultura do imediatismo é o planejamento. Se você já se deparou com sua conta corrente zerada e o mês ainda não acabou, sinto muito em dizer que você não sabe lidar com o seu dinheiro. Pode até falar que sempre fez assim e nunca ficou devendo a ninguém etc., mas vou provar que você está fazendo errado por meio de algumas simples perguntas:
1. Você sabe quanto ganha?
2. Você sabe quanto gasta?
Se você soube responder a essas perguntas SINCERAMENTE e de forma clara, é um bom sinal. Pelo menos está consciente. E caso não saiba respondê-las imediatamente, se acalme, é normal.
Agora vamos para a pergunta da qual todos fogem ou sobre a qual mentem na resposta:
3. Se você perdesse sua renda hoje, por quanto tempo conseguiria se manter?
Se respondeu menos de seis meses, acaba de provar que não está preparado para “imprevistos” e precisa urgentemente aprender antes que seja tarde! Situações de imprevistos acontecem a qualquer momento, e, sim, você pode e deve estar preparado(a) para elas.
Sua vez de perguntar: “Como faço isso se nunca sobra dinheiro nem para os previstos? “Vou explicar de forma simples para que possa começar já!
Reserva de emergência. É a primeira coisa de que vamos tratar. E tem um motivo para estar nessa posição, porque é a mais importante! A reserva de emergência é bem simples de compreender. Trata-se de um dinheiro que você terá protegido para cobrir no mínimo seis meses do seu custo de vida atual, isto é, o quanto precisa para pagar suas contas mensais.
Voltando…
Respondendo à sua pergunta sobre nunca sobrar dinheiro, você tem duas escolhas: controlar seus gastos, ter uma vida financeira saudável e investir para ter um futuro confortável, ou se matar de trabalhar para cobrir os gastos e se desdobrar para pelo menos passar o mês com um pouco mais de grana.
Aposto que você é inteligente e vai optar pela primeira opção. Neste caso, vamos juntos organizar suas finanças!
Comecemos pelo básico. Lembra-se das primeiras duas perguntas que fiz?
Primeiramente, liste todos os seus gastos e, logo após, suas receitas (seus ganhos, como o salário). Assim, vamos medir sua saúde financeira.
Se seus gastos forem maiores ou exatamente iguais às suas receitas, isso indica que você tem saúde financeira ruim e gasta mais ou tudo o que ganha. Logo, não está preparado(a) para imprevistos.
Caso seus gastos sejam menores que seus ganhos, parabéns! Sua saúde financeira é boa, mas não se anime ainda, porque falta uma coisa imprescindível: a reserva de emergência. Ela que vai preparar você para os imprevistos da vida.
Agora você já sabe quanto você gasta e quanto ganha, então vamos para suas despesas (espero que já as tenha listado!). Observe criteriosamente quais são dispensáveis e quais são os gastos prioritários. Não se sabote, seja sincero(a).
Segundo passo: some os gastos prioritários e multiplique por seis. Dessa forma, terá o valor de sua reserva de emergência.
Terceiro: defina um valor que irá investir por mês até atingir a sua reserva de emergência. Agora você tem mais uma dúvida na sua cabeça, não é? Onde investir? Como fazer isso??
Você vai colocar seu dinheiro da reserva de emergência em um investimento de renda fixa que seja muito seguro e possua uma liquidez alta (liquidez é a capacidade que um investimento tem de virar dinheiro).
Existe o “melhor” investimento?
Será essa a pergunta de R$ 1 milhão? Poderia até ser, se a resposta não fosse sim e não. Não existe o melhor investimento do mundo. Se existisse, seria o único em que todos investiriam. Mas, como você pode notar, qualquer carteira de investimentos tem a diversificação como fator indispensável, o que, além de oferecer proteção em tempos de queda, possibilita oportunidades em momentos de alta.
Sim, existe um melhor investimento. E, como já dizia minha avó, “eu não estou fazendo hora com a sua cara”. Conforme antecipado, não há “o melhor” investimento do mundo, mas existe o melhor investimento para você.
Para cada objetivo, para cada meta e para cada perfil de risco existe um melhor investimento. Para uma pessoa conservadora, existem produtos conservadores, ou seja, com baixo risco. Para alguém com perfil mais arrojado (que aceita correr mais riscos), há investimentos com risco moderado ou alto, mas com ganhos potenciais também superiores aos de renda fixa.
Para cada objetivo que você tenha, como acumular R$ 1 milhão, existe um melhor investimento, levando em consideração os principais fatores, como, risco, liquidez e retorno. O raciocínio é esse. Primeiro você tem objetivos, depois, os investimentos adequados para melhor cumpri-los.
Agora ganhar mais dinheiro resolve
Agora que já aprendeu a gerir melhor o seu dinheiro e pôde entender que existe um investimento adequado para cada objetivo e perfil, você precisa fazer com que o seu poder de aporte (o quanto de dinheiro investirá todos os meses) aumente.
“Ué, você não disse que é mais importante olhar para os gastos?”, você pode me perguntar. Inicialmente, sim. Você precisa saber lidar com seu dinheiro e controlar seus gastos, ou seja, gastar melhor. Afinal de contas, ganhar muito e gastar mais ainda não ajudam nem um pouco em sua jornada até R$ 1 milhão.
Ganhar mais dinheiro depois de ter aprendido os dois primeiros passos vai acelerar sua jornada até o primeiro R$ 1 milhão, porque a rentabilidade dos seus investimentos não terá de ficar totalmente acima da média.
Como tudo no mundo, isso não é uma tarefa extremamente fácil. Não tem milagre, exige esforço, e não é qualquer esforço. Tem que ser o mais eficiente possível, o chamado esforço inteligente. Por meio dele, você pode fazer coisas que proporcionarão ganhos maiores.
Há dois caminhos: o empreendedorismo e o intraempreendedorismo. No primeiro caso, será necessário montar um negócio para ganhar dinheiro, buscando sempre que possível um projeto escalável (que aumente seus ganhos sem ter que aumentar os gastos proporcionalmente). E, lógico, assumindo todos os riscos presentes em empreender.
Já no segundo caso, você poderá empreender dentro do seu trabalho, seja se especializando, trazendo soluções novas ou inteligentes para a empresa. Mas infelizmente nada disso fará
diferença se o ambiente em que estiver inserido não for meritocrático, que não premie resultados.
Você também pode fazer os chamados bicos ou renda extra para aumentar o poder de seus aportes e alcançar mais rápido as metas curtas até chegar ao tão sonhado R$ 1 milhão.
Esses três pilares que foram detalhados aqui, desde lidar com o seu dinheiro e ter um planejamento financeiro a entender o conceito de melhor investimento e a importância de também ganhar mais, não são só práticos como foram realmente de suma importância para que Thiago Nigro (autor do livro “Do mil ao milhão – Sem cortar o cafezinho”) alcançasse o primeiro R$ 1 milhão.
Esse conteúdo de forma aprofundada e detalhada está disponível no livro de Nigro. Nele, o autor destaca três pilares: gastar melhor, investir bem e ganhar mais dinheiro.