No último dia 10, investidores foram surpreendidos por uma nova aceleração da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Os preços acumularam alta de 1,25% (veja gráfico) em outubro, totalizando um avanço de 10,67% em 12 meses.
Surpreendidos pela força da inflação, o mercado financeiro intensificou as apostas de que o Banco Central irá elevar mais ainda a taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, em dezembro.

Para refrescar a memória, na reunião do dia 5 de agosto de 2020, a autoridade monetária brasileira havia levado a taxa Selic para 2,00% ao ano. Naquele momento, a preocupação era a atividade econômica implodir por conta da pandemia da Covid-19. Foi naquela época que tivemos o auge da atratividade pelos ativos de risco.

De lá para cá o que mudou?
Na última reunião, o Copom teve que acelerar o ritmo de alta e elevou a taxa Selic novamente, para 7,75% a.a. O “pinote” visto acima é a resposta para a constante elevação do IPCA.
Hoje um fenômeno global, a inflação tem sido explicada por diversos motivos, tanto domésticos quanto internacionais. Preço da energia e combustíveis, alta das commodities e falta de mão de obra qualificada para o setor de serviços são comumente citados por analistas.
Logo, tentando conter a alta dos preços, o Banco Central mexe na taxa básica de juros para desestimular o consumo e estimular a poupança dentro da economia.
Nesse contexto, como ficam os seus investimentos?
Todo investidor, na hora de decidir, tem que fixar um objetivo. Nenhum investimento deve ser feito sem a correta compreensão do seu risco e do seu potencial de retorno. Deve sempre ser esperado um retorno maior para aqueles ativos mais arriscados, um prêmio pelo risco assumido.
Naturalmente, à medida que os juros sobem, a renda fixa fica mais atrativa. Isso desperta o interesse de muitos, que acabam migrando recursos de volta para aplicações mais conservadoras, vendendo ações na Bolsa.
Então é hora de voltar para a renda fixa?
Cada caso é um caso! Não se pode esquecer que muitas empresas seguem entregando resultados excelentes e seus preços continuam em baixa na Bolsa. A pergunta é: até que ponto o mercado pode estar pessimista demais nesse momento?
É justamente nesse descompasso de expectativas que as oportunidades começam a aparecer. Para cada novo resultado positivo que uma empresa pública, em tese, mais interessante ela fica. Logo, continuar estudando as empresas de capital aberto é a melhor opção.
Podemos dizer que para encontrar uma barganha você tem que aprender a procurá-la.
Mas uma coisa tem que ficar muito clara: em momentos de taxa de juros mais alta, o erro de carregar uma má posição na Bolsa custa mais caro, devido ao aumento do custo de oportunidade do dinheiro, a Selic!
O que fazer com as posições que estão desvalorizando?
Com certeza, quando já estamos investindo na ação, a decisão fica bem complexa. Nesse caso, vale realmente a convicção de cada um. Eu particularmente chamo essas convicções de teses de investimento. Cada um tem que rever a consistência de suas teses no novo cenário e então tomar a sua decisão.
A única coisa que deve ser evitada é o abandono do tema bolsa de valores. Por quê? Porque normalmente ela ganha tração no momento que você menos espera!