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Por Giácomo Diniz

Colunista de ações da Agência TradeMap

Graduado em Economia pela FEA-USP e com MBA pela FIA, trabalha e investe no mercado há mais de 20 anos. Atua como professor de finanças e investimentos em instituições como B3 Educação, FIA, Apimec, Saint Paul e Ibmec e como consultor para gestão de grandes fortunas e fundos de pensão. Publica conteúdo financeiro no YouTube  do TradeMap.

É a hora? Veja cinco erros a serem evitados ao investir em ações

Tela de gráficos de linhas e colunas, mostrando queda e turbulência do mercado, com mapa mundi.

Foto: Shutterstock

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O fato de o mercado americano ter entrado em “bear market” (mercado em baixa) em meados do no mês passado fortaleceu o cenário negativo das negociações de títulos de renda variável, principalmente de ações.

O marco se deu com o recuo acumulado superior a 20% do S&P 500 no dia 13 de junho em relação a 4 de janeiro, quando ocorreu o pico diário mais recente de fechamento do indicador de ações da Bolsa de Nova York.

Passado menos de 30 dias, o receio dos investidores continua em alta (seria cedo demais para que fosse embora). O desempenho do mercado brasileiro deixa isso claro. O Ibovespa, principal índice de ações da B3, enfrenta o desafio de voltar ao patamar (ou se sustentar) acima dos cem mil pontos desde então.

A base para o desequilíbrio dos mercados está na inflação. O aumento de preços se mantém no radar não só aqui, mas nos Estados Unidos, na Europa, nas principais economias do mundo. Para controlá-la, o remédio é o de sempre, a alta da taxa de juros, com o intuito de frear o consumo.

Junto com esses aumentos, o risco de recessão chega, como bem alerta Jerome Powell, presidente do banco central americano, o Federal Reserve. Da mesma forma, a possibilidade de estagflação não é descartada – quando o PIB (Produto Interno Bruto) fica estável e a inflação permanece em curso.

Diante desse cenário, as perspectivas para os próximos meses são pessimistas, ainda que o ciclo de alta da Selic, no Brasil, deva ser encerrado neste ano.

Como contraponto a tudo isso, trago uma frase inesquecível de um dos maiores gestores de recursos do século passado: Sir John Templeton. Nascido nos Estados Unidos, o filantropo e banqueiro criou o fundo “Templeton Growth Fund” na década de 1950.

“Os mercados de alta nascem no pessimismo, amadurecem no otimismo e morrem por euforia”.

O contexto atual indica que, em algum momento nos próximos meses, quando o pessimismo estiver generalizado, se dará início ao embrião de um novo “bull market” (mercado em alta).

E, enquanto você eventualmente se prepara para essa hora, é importante que saiba de cinco erros cometidos por milhares de investidores que hoje estão amargando os piores prejuízos.

Erro 1: Comprar ações sob o holofote em momentos de euforia

Como Sir Templeton disse, a euforia é a marca da última etapa do mercado de alta. Nesse momento os influenciadores estão inflamados e defendem de forma religiosa uma determinada ação que entrou nos holofotes por algum motivo específico.

É claro que, no final do ciclo, uma ação que foi exaltada pode ter o seu valor reduzido em mais de 80%. Mas, por outro lado, esse mesmo ativo pode ter se valorizado mais de 1.000% (dez vezes) antes de atingir o topo.

Neste caso, a mensagem fundamental é tomar cuidado para não se apaixonar por uma ação comprada na euforia e mantê-la durante a queda acreditando que ela irá certamente se recuperar. O fato é que isso pode não acontecer!

Caso o investidor reconheça que não tem estomago para essa montanha russa vale a dica. Fique de fora dessas ações que estão sob destaque nesses momentos eufóricos.

Muitas ações são esquentadas pela multidão e depois esquecidas. Não caia nessa cilada.

Erro 2: Comprar uma ação com base em uma dica!

Na minha vida particular, tento ao máximo dizer que sou um especialista em investimentos, principalmente bolsa de valores. Desenvolvi esse hábito porque todo mundo me perguntava e ainda pergunta qual é a dica da vez.

Infelizmente investir em ações é o tipo de rotina que demanda um certo tempo de desenvolvimento. O investidor demora para se destacar do cardume de sardinhas ou nunca consegue se libertar, porque isso envolve pensar com a própria cabeça e para tal estudar.

Sabendo disso, em mercados de alta ou bull market, quando a probabilidade de sucesso aumenta bastante, é criado um verdadeiro exército repetidor de dicas. As dicas são por definição informações truncadas, infundadas e desestruturadas que acabam com a frase: vai bombar!

À medida que a ação sobe, especialistas aparecem validando uma tese fraca e desestruturada de investimentos. Tudo funciona até o fluxo de dinheiro virar e os investidores profissionais começarem a sacar dinheiro.

A ação começa a despencar e os “especialistas” desaparecem ou são desqualificados devido à própria queda do papel. Nesse momento, o investidor se sente sozinho e imponente.

Por isso eu friso: invista com base nas próprias ideias e estabeleça controles de risco para o acompanhamento dos investimentos, pois quando a dica dá errado você não sabe o que fazer com a ação. Afinal de contas, você comprou um ativo sem compreender os devidos motivos.

Erro 3: Investir sem uma tese de investimento estruturada

Esse é um erro menos grave do que o anterior, mas também responsável por muitos prejuízos. Nesse caso, o investidor já não entra mais em dicas furadas, porém ainda acredita que o sucesso está em uma análise simplificada.

Fazer isso é conveniente no bull market, quando “você compra pedra e pedra sobe” como dizia um antigo colega de corretora. Mas, em momentos de queda, viver de achismo e não ter uma visão clara de potencial e riscos da empresa na qual investirá levam a um estado de estresse.

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Essa posição pode ter um efeito de paralisia, e o investidor ficar apegado a um ativo que comprou caro e já perdeu grande arte do valor.

Aqui reside o principal desafio para se tornar um investidor bem-sucedido: desenvolver uma abordagem robusta para analisar os ativos e realizar operações com razão e serenidade.

Erro 4: Criar teses de investimentos fantasiosas e apaixonadas

Qualquer conteúdo sobre especulação (trading) na bolsa de valores afirma com convicção que o seu maior inimigo é o seu estado psicológico. Os vieses, gatilhos mentais e emoções poluem sempre as nossas teses de investimento.

Já vi, em várias situações, alunos meus incorporarem verdadeiros advogados de defesa de uma empresa que não para de entregar resultados medíocres. A narrativa de uma supervirada pode tomar corpo e se transformar em verdadeiros cultos.

Predisposições afetam qualquer tipo de mente investidora, e as melhores são aquelas que conseguem identificá-las e direcioná-las para a racionalidade. Nesse sentido, o perfil racional do megainvestidor Warren Buffet é notável.

Comprar ações de empresas desgastadas contando com uma reviravolta pode se tornar um problema sério. Por se tratar de uma visão subjetiva, o investidor pode criar na cabeça um verdadeiro “mundo a parte”, imputando expectativas infundadas em suas análises.

Erro 5: Não ter noção do valor justo do ativo

No TradeMap, é possível consultar o consenso de mercado, o que na prática é um valor médio projetado pelos analistas para o preço justo de uma ação. Digo isso porque fazer valuation é uma tarefa complexa, e esse instrumento pode evitar que você caia no risco de comprar uma ação que já está cara.

Nesse aspecto é preciso salientar que o próprio consenso se altera ao longo do tempo, e essa mudança de opinião pode ser uma percepção relevante para o investidor se a empresa está melhorando ou piorando na ótica dos analistas profissionais.

Convido cada leitor a refletir sobre os pontos aqui discutidos. Já treinei milhares de investidores em mais de uma década de atuação na B3 Educação e digo que seguir esses conselhos pode fazer uma diferença incrível na sua vida como investidor.

Mas como aprendo a estruturar uma tese de investimento?

O primeiro passo é se inscrever no projeto investidor raiz no Educamap e cursar o curso gratuito de introdução à análise fundamentalista clássica. Nesse curso, são abordados os sete pilares que fundamentam uma tese de investimento.

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*As opiniões, informações e eventuais recomendações que constem dos artigos publicados pela Agência TradeMap são de inteira responsabilidade de cada um dos articulistas. Os textos não refletem necessariamente as posições do TradeMap ou de seus controladores.

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