Capital estrangeiro desaba em maio e registra maior saída em mais de meia década

Fonte: Shutterstock/casa.da.photo

O otimismo que sustentou a bolsa brasileira ao longo do primeiro quadrimestre de 2026 deu lugar a uma forte saída de capital internacional. Em maio, o saldo líquido dos investidores estrangeiros na B3 ficou negativo em R$ 13,28 bilhões. A reversão interrompeu abruptamente o ciclo de entrada de recursos observado desde o início do ano e contribuiu para a queda de 7,22% do Ibovespa no período, apagando parte dos ganhos que haviam levado o índice à sua máxima histórica em 14 de abril.

Após quatro meses consecutivos de captação positiva, com destaque para os R$ 26,47 bilhões registrados em janeiro, o resultado consolidado de maio representou o maior volume de retirada de recursos estrangeiros da B3 em mais de cinco anos. Ainda assim, o saldo acumulado de 2026 permanece positivo, em R$ 43,78 bilhões.

O principal fator por trás dessa mudança de direção foi o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A escalada do conflito elevou os preços do petróleo e da energia, reacendendo preocupações com a inflação global e levando o mercado a revisar as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Com isso, consolidou-se a percepção de que o Federal Reserve (Fed) deverá manter os juros em patamares elevados por mais tempo.

Como reflexo desse cenário, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano avançaram de forma significativa, com a Treasury de 30 anos superando a marca dos 5% e atingindo seu maior nível em quase duas décadas. A combinação entre juros elevados e maior aversão ao risco alterou a dinâmica global de alocação de recursos, reduzindo a atratividade relativa dos mercados emergentes.

Nesse contexto, observou-se um movimento de realocação de capital em direção aos Estados Unidos, fortalecendo o dólar e intensificando a pressão vendedora sobre ativos de risco. Na B3, esse fluxo contribuiu para a forte correção do Ibovespa ao longo de maio, em um movimento cujos impactos continuaram sendo sentidos também no início de junho.


Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.     

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.