Volatilidade e Oportunidades: Análise da “Super Quarta”
Amanhã (18) teremos a “super quarta”, com as decisões da taxa de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Devido à falta de unanimidade no cenário futuro poderemos ter volatilidade na semana, o que significa uma janela de oportunidade para os investidores.
Juros americano
O início do corte de juros já é realidade para a próxima reunião do FED, analisando a probabilidade de corte de juros por meio dos futuros dos juros americanos, estamos com um impasse de quanto será o primeiro corte, onde tanto o corte de 0,25 p.p. quanto o corte de 0,50 p.p. estão com 50% de probabilidade.
Probabilidade atual de corte de juros – FED
Projeções da curva em 16/09/2024 – em %
Fontes: TradeMap e CME
O início do corte em si já será responsável pelo início da fuga de capital da renda fixa americana para ativos com maiores riscos, mas um primeiro corte de 0,50p.p. pode significar que o ajuste dos juros seja mais brusco, podendo acelerar a migração de capital para os ativos de risco.
Juros brasileiro
Analisando a curva de juros com base nos DIs, prevê-se três altas de juros para este ano, encerrando 2024 com uma taxa de 11,75% a.a.. Para 2025, a previsão é de alta para 12,50% a.a., porém pela precificação de queda de juros nas reuniões dos dias 31/07/2025 e 18/09/2025 seguido por uma retomada da alta de juros nas reuniões dos dias 06/11/2025 e 11/12/2025 temos uma possível falha da precificação para os vencimentos responsáveis por estas reuniões, no qual pode ser por falta de liquidez nestes vencimentos, por dificuldade de projetar os juros para estes períodos ou desmonte de posição relevante.
Projeção da curva de juros brasileira
Projeção da curva do dia 13/09/2024 – em % a.a.
Fontes: TradeMap e B3
Quando analisamos o Focus do dia 13/09/2024, a expectativa para a Selic ao final de 2024 é de 11,25% a.a., embora há quatro semanas essa previsão fosse de 10,50% a.a..Para o próximo ano, estamos trabalhando com uma previsão de 10,50% a.a., frente a uma expectativa de 10,00% a.a. há quatro semanas.
Selic (% a.a.)
Dados do relatório Focus do dia 13/09/2024 – em % a.a.
Fontes: TradeMap e Banco Central do Brasil
O grande ponto para a reunião de quarta-feira (18), será como os participantes indicados pelo governo se comportarão em comparação com o time do mandato anterior. Se houver divergências nas votações, com os membros do mandato anterior votando pelo aumento e os novos indicados votando por manter a taxa, poderemos ter incertezas sobre a condução da política monetária com a troca de presidente no ano que vem, o que pode gerar pressões adicionais sobre os ativos de juros e o dólar.
Cenários
O movimento dos juros americano será um guia para o mercado global, dado que há uma expectativa dividida sobre o início do corte. Devemos estar atentos a dois cenários possíveis, derivados das sinalizações do FED.
Se o FED iniciar o corte de uma forma mais gradual, iniciando com um corte de 0,25 p.p. o mercado tende a trabalhar com movimentos menos abruptos, por já estarem considerando com a opção de ter algo mais brusco e não se concretizar. Nesse caso, o mercado deve manter seu ritmo e no Brasil, pode haver uma pressão adicional para que o Banco Central siga a curva de juros e tenha mais de um aumento neste ano conforme é precificado na curva.
Por outro lado, se o FED adotar uma postura mais agressiva, iniciando o corte com 0,50 p.p., poderemos observar uma aceleração no desempenho dos ativos de risco, aumentando a credibilidade na recuperação da economia americana. Isso levará os investidores a assumirem mais riscos para alcançar os retornos desejados, o que pode ser muito positivo para a curva de juros brasileira, pois com mais capital se espalhando pelo mundo o dólar tende a perder força e consequentemente aliviar o estresse em produtos importados que influenciam na inflação.
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