As bolsas asiáticas fecharam em queda nesta quarta-feira, 15, após dados chineses mostrarem desaceleração no crescimento das vendas no varejo, decorrente das restrições por conta da pandemia.
O indicador da China subiu 2,5% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2020, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) do país. A leitura veio abaixo do esperado pelo mercado e menor do que o reportado em julho, quando apresentou alta de 8,5% na mesma base de comparação.
Enquanto isso, a produção industrial subiu 5,3% em agosto no comparativo anual. O resultado veio ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado, mostrando desaceleração em relação ao dado de julho, mês em que a alta havia sido de 6,4% ante o mesmo intervalo do ano anterior.
Além disso, a escalada regulatória de Pequim segue prejudicando alguns setores, em especial o de tecnologia.
Na Europa, os mercados operam de forma mista, mesmo que os dados da produção industrial da zona do euro foram mais fortes do que o esperado, avançando 1,3% em julho. O avanço foi motivado pelo aumento da produção de bens de capital e de bens de consumo não duráveis. Na comparação anual, o indicador avançou 7,7%.
Os futuros americanos apresentam leve alta. Apesar de a inflação divulgada ontem vir menor do que a prevista, o nível permanece elevado, mantendo as preocupações no radar quanto a maiores pressões sobre preços e se isso pode afetar os futuros índices de inflação.
O mercado também se mantém atento ao teto da dívida americana, aos possíveis aumentos de impostos e aos gastos com infraestrutura do presidente Joe Biden e até quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) irá manter os juros baixos e estimular a economia.
Em relação às commodities, o petróleo segue em alta, enquanto o minério de ferro continua sofrendo com as intervenções chinesas.
No Brasil, a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, surpreendeu o mercado, mostrando um tom menos agressivo para usar a taxa básica de juros, a Selic, como ferramenta no combate à inflação.
“Vamos levar a Selic onde precisar, mas não vamos reagir sempre a dados de alta frequência”, disse Campos Neto em evento.
A declaração, antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para a semana que vem, acabou fazendo com que os economistas repensassem por uma revisão de expectativas para o ciclo de aperto monetário.
Grande parte dos analistas já estava colocando na conta um aperto mais forte do que o anterior, de 1 ponto percentual na Selic, chegando a projeções de 1,25% a 1,50%. No entanto, o discurso do chairman gerou dúvidas quanto à elevação mais forte.
Ainda por aqui, o relator da PEC, deputado Darci de Matos (PSD-SC), apresentou seu parecer à CCJ da Câmara do Deputados, devendo ser foco para hoje. Ainda na parte política, os investidores deverão manter no radar o desenrolar, no Senado, da reforma do Imposto de Renda e da privatização dos Correios.
Além disso, também haverá a divulgação da prévia do PIB, o IBC-Br, marcada para às 9h.