Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

O mercado acompanhou encontros políticos relevantes para o Brasil e o cenário internacional. O primeiro deles foi a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, realizada no fim da semana anterior, para reunião com o presidente norte-americano, Donald Trump. O encontro, com duração de cerca de três horas, teve como principais temas a relação comercial entre os dois países, o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos. Dias depois, Trump viajou à China para se reunir com o presidente Xi Jinping. O encontro foi classificado pelo presidente norte-americano como uma das relações bilaterais mais importantes do mundo e abordou temas como comércio, petróleo e Irã, segundo a Casa Branca. Na sequência, ambos visitaram o Templo do Céu, em Pequim. Trump esteve acompanhado de uma delegação formada por empresários e executivos de grandes companhias, entre eles Elon Musk, da Tesla, Tim Cook, da Apple, e Jensen Huang, da Nvidia. 

Com relação aos indicadores econômicos, o mercado acompanhou a divulgação de dados de inflação. No Brasil, o IPCA de abril avançou 0,67%, abaixo da projeção de 0,70% do mercado, representando uma desaceleração de 0,21 ponto percentual em relação à taxa registrada em março. Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,6% em abril, em linha com as expectativas dos analistas. 

Maiores altas: 

 

Braskem (BRKM5) liderou os ganhos da semana, com alta de 35,82%. O desempenho foi impulsionado após o JPMorgan Chase elevar a recomendação das ações de neutro para overweight (equivalente à compra), diante da melhora dos fundamentos do setor, da oferta mais restrita no mercado global e do fortalecimento da governança após a reestruturação da companhia. O banco também revisou o preço-alvo dos papéis de R$ 10,50 para R$ 15. 

Prio (PRIO3) avançou 8,74% na semana. A companhia reportou lucro líquido de US$ 460 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 33% em relação ao mesmo período de 2025, quando registrou lucro de US$ 345 milhões. Além disso, a XP Investimentos incluiu a empresa em sua carteira de dividendos de maio, com peso de 5%, destacando o posicionamento da petroleira para capturar a alta dos preços do petróleo no curto prazo e o recorde histórico de produção alcançado pela companhia.

A Minerva (BEEF3) avançou 7,32% na semana, impulsionada por sinais de que o governo dos Estados Unidos pretende aliviar tarifas sobre importações de carne bovina. O movimento ganhou força após o The Wall Street Journal informar que a gestão de Donald Trump planeja reduzir temporariamente as tarifas aplicadas às importações de carne bovina de países exportadores. Segundo o jornal, a medida incluiria a suspensão da cota tarifária anual e ações de apoio ao setor pecuário, como ampliação do crédito para produtores rurais.

Brava Energia (BRAV3) registrou alta de 6,56% na semana. A companhia informou que a Somah Investimento e Participações, integrante do Bloco Somah Printemps Quantum, adquiriu 10.552.356 ações ordinárias da empresa. Com isso, o bloco passou a deter 43.064.459 ações ordinárias, equivalentes a 9,27% do capital social da Brava. No trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 350 milhões, revertendo o lucro de R$ 829 milhões obtido um ano antes. 

Hapvida (HAPV3) avançou 5,42% na semana após divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2026, avaliados de forma positiva por instituições financeiras, apesar da queda anual de 41,4% no lucro líquido ajustado. Entre janeiro e março, a companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 244 milhões. O EBITDA somou R$ 346 milhões, recuo anual de 46,8%, enquanto o EBITDA ajustado totalizou R$ 803 milhões, queda de 20% na comparação anual. 

Maiores quedas: 

 

Cosan (CSAN3) caiu 14,20% na semana. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 1,58 bilhão no primeiro trimestre de 2026, melhora de 11% frente às perdas de R$ 1,79 bilhão registradas um ano antes. O resultado foi impactado pelo elevado resultado financeiro e por custos relacionados à reestruturação da dívida. Segundo a empresa, efeitos considerados pontuais somaram R$ 1 bilhão, incluindo despesas com pré-pagamento de dívidas e impactos tributários ligados à variação cambial sobre dívidas em moeda estrangeira. 

Localiza (RENT3) recuou 13,83% na semana. O Citigroup reduziu o preço-alvo das ações da companhia de R$ 55 para R$ 54 após os resultados do primeiro trimestre de 2026, mantendo recomendação de compra. Segundo o banco, a frota encerrou o período em patamar menor e a companhia pode enfrentar fraqueza sazonal no segundo trimestre, além de um mix de vendas mais premium. Apesar disso, a Localiza reportou lucro líquido de R$ 1,22 bilhão no trimestre, alta de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima das expectativas do mercado. 

Yduqs (YDUQ3) teve queda de 12,77%. A companhia divulgou resultados abaixo das expectativas do mercado. O lucro líquido ajustado caiu 2% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o EBITDA ajustado também recuou 2%, com retração de 1,2 ponto percentual nas margens. No trimestre, a empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 150,4 milhões. Sem ajustes, o lucro foi de R$ 65 milhões, queda anual de 49%. Apesar disso, a receita líquida somou R$ 1,509 bilhão, avanço de 1% frente ao mesmo período de 2025. 

Rumo (RAIL3) apresentou queda de 11,58% na semana. O mercado reagiu a um ambiente de maior instabilidade política e fiscal após o vazamento de um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O cenário afetou empresas mais sensíveis ao ambiente macroeconômico e de infraestrutura, como a Rumo. Apesar de a companhia ter reportado lucro líquido ajustado de R$ 266 milhões, alta de 41,1% na comparação anual, investidores monitoraram pontos como a redução das tarifas e a queda da margem EBITDA, de 55,1% para 53,2%, refletindo uma estratégia comercial mais agressiva. Além disso, a alavancagem da companhia aumentou, com a relação dívida líquida/EBITDA passando de 1,6x para 2,1x em um ano. 

Em meio à divulgação de indicadores econômicos, balanços corporativos e desdobramentos políticos internacionais, o mercado encerrou a semana atento aos impactos sobre inflação, atividade econômica e perspectivas para empresas expostas ao cenário macroeconômico. 

Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.     

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques da semana

Veja os principais eventos da semana e suas possíveis consequências: Segunda-feira (18/05)08:00 – Brasil IGP-10A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgará às 08h00 o resultado do

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.