Selic é mantida em 15,00% a.a. na primeira reunião de 2026 e BC sinaliza prudência

Fonte: Shutterstock/rafastockbr

Na primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (28), manter a taxa Selic em 15,00% ao ano. O nível, que está em vigor desde junho de 2025, representa o maior patamar em quase duas décadas.

A avaliação do Copom é de que, apesar dos sinais recentes de desaceleração da inflação, o cenário ainda exige cautela. Pesam nessa leitura as incertezas fiscais, a resiliência do mercado de trabalho e um ambiente externo mais volátil.

A decisão ocorre em um contexto de melhora gradual dos indicadores de inflação. O IPCA acumulado em 12 meses encerrou 2025 em 4,26% e, segundo o Boletim Focus mais recente, a projeção para 2026 recuou para 4,00%, abaixo do teto da meta de 4,50%, embora ainda distante do centro de 3,00%.

Apesar desse alívio, o Copom segue atento à composição da inflação. A inflação de serviços, mais sensível ao mercado de trabalho, continua rodando em níveis elevados, refletindo uma economia ainda aquecida e um mercado de trabalho apertado. Esse fator tem sido recorrente nos comunicados recentes da autoridade monetária como um dos principais obstáculos para o início imediato do ciclo de cortes de juros.

Embora tenha optado pela manutenção da Selic nesta reunião, o mercado segue apostando que o início do ciclo de flexibilização monetária deve ocorrer a partir de março. A maior parte das projeções indica que os primeiros cortes devem ser graduais, entre 0,25 e 0,50 ponto percentual, a depender da evolução dos dados de inflação, atividade econômica e expectativas.

O próprio Boletim Focus aponta que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,25%, sinalizando um processo de redução lento e cauteloso ao longo do ano. A leitura predominante é de que o Banco Central busca preservar a credibilidade da política monetária, evitando um afrouxamento prematuro que possa reacender pressões inflacionárias.

Com a decisão, a autoridade monetária reforça a dependência dos dados e a necessidade de manter a política monetária em território contracionista por tempo suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.

A expectativa é de que, nas próximas reuniões, o Banco Central possa promover ajustes graduais na comunicação, preparando o mercado para o início do ciclo de cortes, sem assumir compromissos explícitos quanto ao ritmo ou à magnitude do afrouxamento monetário.

O cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas, volatilidade nos preços das commodities e incertezas sobre o ritmo de crescimento das principais economias, segue como fator relevante no balanço de riscos do Banco Central brasileiro.

A trajetória da política monetária a partir daqui dependerá, sobretudo, da confirmação da desaceleração da inflação, do comportamento do mercado de trabalho e da evolução do cenário fiscal, especialmente em um ano marcado por eleições e maior sensibilidade dos ativos aos riscos domésticos.

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