As ações da Cielo (CIEL3), cujos preços mais que dobraram neste ano, podem se valorizar ainda mais depois das alterações na TIC (tarifa de intercâmbio) dos cartões de débito e pré-pagos, segundo o BofA (Bank of America).
A TIC é a remuneração paga à companhia que emitiu o cartão, a cada transação, pela Cielo e por outras empresas que alugam as maquininhas para os comerciantes – chamadas de credenciadoras.
Esta tarifa representa em geral um custo que as credenciadoras repassam ao lojista que, por sua vez, transfere o ônus ao consumidor.
A nova regulação, que passa a vigorar a partir de 1º de abril de 2023, estabelece um limite de 0,5% para a TIC em transações de cartões de débito e de 0,7% para qualquer operação com cartões pré-pagos.
A regra atual permite que a TIC para operações com cartões de débito varie de 0,5% a 0,8%, com exceções a esta regra caso a transação seja não presencial (compras online, por exemplo) ou com cartões corporativos.
O BofA acha que os limites à TIC podem aumentar os ganhos da Cielo – e que o mercado vai começar a revisar para cima as projeções para a empresa.
O banco já fez essa revisão e prevê que a Cielo deve fechar o ano que vem com um lucro líquido de R$ 2 bilhões, ou 32% maior que o anteriormente previsto. A estimativa, de acordo com o BofA, é 17% maior que a do consenso de mercado compilado pela Bloomberg.
A redução da TIC deve resultar numa economia de R$ 434 milhões com cartões pré-pagos e de R$ 161 milhões com cartões de débito em 2023.
A Cielo, no entanto, perderia R$ 80 milhões em receita com cartões pré-pagos, por causa do prazo mais curto de pagamento aos lojistas exigido pela nova regulação, e R$ 75 milhões em receitas vindas da TIC recebida pela Cateno.
Neste cenário, o BofA elevou a recomendação de compra da Cielo de “neutra” para “compra” e aumentou o preço-alvo das ações da companhia de R$ 5,60 para R$ 7,40 – ou seja, vê potencial de uma valorização de mais de 30% em relação aos preços atuais.
Por volta das 16h25, as ações da Cielo estavam entre as que mais subiam dentre os componentes do índice Ibovespa, com alta de 1,84%, a R$ 5,55 cada.
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