O aumento dos juros futuros nesta quinta-feira (18) dá sinais de que o clima de incerteza das eleições já mexe com o humor do mercado financeiro. E a preocupação inicial é com o descontrole dos gastos públicos a partir de 2023.
Depois de caírem ao longo das últimas semanas, as taxas de juros de médio prazo voltaram a subir após o início da campanha eleitoral, na última terça-feira (16), e hoje reagem em parte a declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ontem, Bolsonaro prometeu que vai manter a isenção de tributos federais sobre combustíveis e o gás de cozinha em 2023.
O chefe do Executivo, que disputa a reeleição, também disse que vai promover reajustes nos salários dos servidores públicos e reforçou o interesse do governo em tornar permanente o Auxílio Brasil de R$ 600 mensais. Até o mês passado, o valor do benefício era de R$ 400.
Por volta das 13h10, a taxa dos contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2024 subia a 12,98%, de 12,88% ontem, no segundo dia seguido de alta. Em meados de julho, a taxa estava perto de 14,0%, e vinha recuando nas últimas semanas.
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As taxas para os contratos com vencimento em janeiro de 2025 também reagiram da mesma forma, subindo a 11,94%, de 11,85% ontem. Em meados de julho, a taxa estava perto de 13,50%.
Victor Zucchi Meneghel, especialista em renda fixa da Valor Investimentos, afirma que a reversão do movimento de queda nos juros deste o início da campanha eleitoral deixa claro os reflexos da disputa no humor dos investidores.
“Estávamos com uma queda bastante consistente, e agora voltou a subir desse jeito pelo risco fiscal. Tanto Lula quanto Bolsonaro falam em continuar com incentivos no ano que vem, mas sem falar de onde vai ter o dinheiro”, explica.
O aumento dos gastos públicos é um fator que impulsiona as taxas de juros porque ajuda a alimentar a inflação. Com mais dinheiro circulando, a tendência é de alta dos preços e, consequentemente, de elevação dos juros para conter este movimento.
Leilão de prefixados também puxa juros para cima
O aumento dos juros também reflete o leilão de títulos públicos prefixados promovido pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira, dizem analistas do mercado financeiro.
O governo vendeu todo o lote de 23 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) em três vencimentos, com volume de R$ 16,1 bilhões.
Também foi comercializada toda a oferta de 650 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) em dois vencimentos, a R$ 599,4 milhões.
Segundo Felipe Novaes, chefe da mesa de operações do C6 Bank, o leilão teve volume 24% acima do realizado na semana passada. A negociação mexe com os juros por aumentar a demanda por contratos futuros, o que acaba puxando as taxas para cima.
“Na terça-feira tivemos um leilão bastante grande, e havia a expectativa para que o de hoje também fosse”, afirma Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed.