O receio de que a alta nos juros dos Estados Unidos será maior do que se previa continua pesando sobre as bolsas internacionais nesta segunda-feira (13), depois de ter feito os principais índices acionários do mundo fecharem em baixa no fim da semana passada.
Na sexta-feira (10), o governo dos Estados Unidos divulgou que em maio a inflação acelerou e foi mais intensa do que a esperada pelo mercado.
O indicador fez os investidores ajustarem as previsões de aumento de juros no país. Até então, a expectativa era de que o Federal Reserve, banco central americano, aumentasse os juros em 0,50 ponto porcentual (pp) na próxima quarta-feira (15). Depois dos dados, começaram a surgir apostas de que uma elevação mais intensa seria possível.
Segundo dados do CME Group baseados em negócios com contratos futuros, o mercado vê 75% de chance de os juros americanos subirem 0,50 pp na quarta-feira, e 25% de probabilidade de a alta ser maior, de 0,75 pp. Uma semana atrás, era praticamente unânime a expectativa de alta de 0,50 pp.
O aumento dos juros tende a ter efeitos negativos sobre o mercado de ações. Primeiro porque encarece o crédito, o que aumenta as despesas das empresas com a própria dívida e deixa os consumidores menos propensos a gastar. Ambos os fatores podem reduzir o lucro das companhias. Depois, porque eleva o retorno dos investimentos em renda fixa, o que reduz o apelo da renda variável.
Há um terceiro fator que entra nesta conta, mas se refere especificamente ao momento atual: os investidores temem que um aumento mais agressivo dos juros provoque uma recessão nos EUA – algo que seria menos provável se as taxas subissem mais devagar.
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“Num espaço de poucos dias, os mercados saíram do otimismo de que a inflação estava perto de atingir um pico para uma preocupação crescente de que não só teremos preços maiores, como estes preços podem continuar altos por muito mais tempo que se pensava”, disse Michael Hewson, analista-chefe da corretora britânica CMC Markets.
Estes receios – e a perspectiva de que os bancos centrais terão de responder à altura para evitar a permanência da inflação – fazem os contratos futuros dos principais índices acionários dos EUA caírem nesta manhã. Por volta das 9h10, o do Dow Jones caía 1,95%, o do S&P 500 recuava 2,43% e o do Nasdaq-100 tinha queda de 3,01%.
Na Europa, a situação era semelhante. O índice Stoxx 600, que reúne as 600 principais empresas da zona do euro, caía 2,25%.