Fotos dos Colunistas Professor Giacomo

Por Giácomo Diniz

Colunista de ações da Agência TradeMap

Graduado em Economia pela FEA-USP e com MBA pela FIA, trabalha e investe no mercado há mais de 20 anos. Atua como professor de finanças e investimentos em instituições como B3 Educação, FIA, Apimec, Saint Paul e Ibmec e como consultor para gestão de grandes fortunas e fundos de pensão. Publica conteúdo financeiro no YouTube  do TradeMap.

Conexão ultrarrápida e a sonhada internet das coisas: o papel das companhias no 5G

IoT Internet das coisas

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Nos tempos de Benjamim Graham, quando escrevia o livro “Investidor Inteligente”, as empresas especialistas em telecomunicações da época, em específico a ATT, já marcavam presença nas carteiras de companhias boas pagadoras de dividendos.

No século XX, as empresas telefônicas eram vistas como companhias de receitas previsíveis, dado que uma grande parcela dos ganhos adivinha de assinaturas mensais, além dos preços dos interurbanos, que eram estratosféricos.

Por que tudo ficou diferente?

Tudo começou a mudar ao fim dos anos 1990, com o advento da internet e a massificação do uso da telefonia móvel. À medida que novos aplicativos de comunicação mobile tomavam forma, a demanda dos clientes se concentrava cada vez mais no acesso à internet.

Na última década, as empresas se prepararam para isso, investindo em redes de fibra ótica e disponibilidade de comunicação de dados pelas redes de celular. Foram realizados muitos investimentos com retornos cada vez menores.

No mês passado, o maior leilão de radiofrequência da América Latina abriu o mercado para os investimentos em tecnologia 5G.

Como de praxe, cada certame veio com uma série de responsabilidade de cobertura e cada empresa vencedora adquiriu ao mesmo tempo “filé e osso”.

Matéria do Trademap mostrou as frequências conquistadas por Claro, TIM e Vivo em leilão realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Com esse leilão, o objetivo do ministério das comunicações é que, até 2028, todas as cidades com mais de 30 mil habitantes recebam a tecnologia 5G.

O que esperar da Tecnologia 5G?

Vejamos alguns fatores comumente citados pela mídia:

1 – Conexões muito mais rápidas – Em laboratório, essa tecnologia já permite downloads de até 20 Gb/s (gigabits por segundo). Isso significa que você conseguirá baixar um filme em menos de cinco segundos.

2 – Baixa Latência – Na prática, a interação é em tempo real, ou seja, será possível um indivíduo guiar um carro no Japão com comandos enviados pela internet no Brasil.

3 – Viabilidade do IoT (ou internet das coisas) – Tudo estará conectado em tempo real, culminando com a expectativa de viabilidade dos carros autônomos e cidades inteligentes.

Considerando esse “novo mundo” espera-se que as empresas de telecomunicações como TIM, Vivo e Claro possam explorar novos mercados.

Com o 5G, o papel dessas companhias não vai mais se limitar ao básico de telefonia, TV e banda larga. Assumo que o futuro desse setor será muito mais promissor dado que as virtudes elencadas acima permitirão a criação de produtos, serviços e provavelmente ecossistemas inteiros.

Posso inclusive especular que as vencedoras da nova corrida das telecomunicações serão as empresas que conseguirem entregar novas soluções completas para resolver problemas muito antigos (como cobertura de câmeras para melhorar a segurança de uma cidade).

Recentemente um estudo comandado pela IDC Brasil calculou que na largada, após o leilão, o 5G no Brasil deve gerar US$ 2,7 bilhões em novos negócios.

Está contabilizado nessa cifra o acesso à banda larga em diversas áreas que hoje ainda não são atendidas. Isso mesmo. A tecnologia 5G poderá servir de meio para democratizar o acesso à banda larga, gerando mais receita para os atuais players e criando competidores.

Qual deve ser a visão do investidor?

Para “dropar” nessa onda, caberá ao investidor avaliar, nas empresas, a capacidade de identificar tendência e lançar soluções que atendam a essas novas necessidades. Quanto valeria o pacote de comunicação para aparelhar uma cidade com câmeras de segurança?

As empresas listadas na B3 já avançam com diversos tubos de ensaio, inclusive com protótipos de redes usando tecnologias mais simplórias.

O lado bom é que portas vão ser abertas para um novo ciclo de inovação. O lado ruim é que nem todas as empresas sairão vencedoras dessa corrida.

Então vale aqui aquele velho conselho: antes de investir, estude as oportunidades; não espere tempo demais e evite perder o timing do investimento.

Outro ponto que deverá ficar no seu radar são as concorrentes, pois poderemos ter novas teles vindo para a Bolsa nos próximos anos.

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